Preço do feijão cai no varejo
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O excesso de oferta e o baixo consumo de feijão derrubaram o preço da mercadoria ao produtor. Na primeira semana de junho, o preço médio praticado no Paraná era R$ 74,00 por saca. Hoje, o produto está cotado a R$ 58,00. A redução é de 21,6%, segundo informações do engenheiro agrônomo Richardson de Souza, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
A desvalorização é crescente desde abril, quando a saca era negociada, em média, por R$ 97,00. Para alívio dos consumidores, após três meses seguidos de desvalorização (em maio o produto custava R$ 85,00), a baixa agora chegou ao varejo. Pesquisa feita pelo Deral no Estado indica que em maio o quilo do alimento era vendido por R$ 2,89. Em junho, o preço médio era R$ 2,62, indicando desvalorização de 9%.
Ontem, em alguns supermercados de Londrina, algumas marcas já eram encontradas por até R$ 1,89. No início de maio, pesquisa realizada pela Folha levantou marcas sendo vendidas a R$ 3,85 por quilo.
Richardson explicou que o aumento na oferta resulta da entrada, no mercado, do feijão colhido na segunda safra nacional, principalmente do Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Goiás. O corretor Cícero Malucelli, diretor da Corretora de Mercadorias Malucelli, de Curitiba, informou que há muitos vendedores e poucos compradores no mercado. ''O consumo caiu porque o povo não tem dinheiro'', disse.
Um indicativo da queda no consumo é a redução, em 30%, nos negócios da corretora. ''Em janeiro estava melhor, mesmo com o feijão custando mais caro'', comparou. A consequência é que o mercado está parado e a inadimplência é crescente. Segundo ele, como o volume de vendas é baixo, tem muito cheque de atacadistas voltando.
O corretor comentou, ainda, que há pouco espaço para novas quedas no preço. ''O produtor está segurando a mercadoria'', afirmou. Novas desvalorizações dependem da entrada da safra do Nordeste, que começa a ser colhida em agosto. ''A tendência é que o preço comece a recuperar em outubro. Antes disso, só se houver aumento de consumo''.
Richardson informou que o mercado do feijão preto também está pressionado para baixo, influenciado principalmente pelas entradas do produto argentino que, favorecido pelo valor do dólar no Brasil, torna-se competitivo frente ao preço do produto interno. Na fronteira, o feijão preto argentino está cotado em US$ 330,00 a tonelada.
O produtor paranaense vem recebendo R$ 58,00 pela saca de 60 Kg de feijão preto, em média. Esse preço é 9% inferior ao praticado há um mês.


