A redução no preço do feijão não estimulou o crescimento no consumo do alimento, em queda desde o ano passado. Informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) revelam que o preço do quilo do feijão carioca, no varejo, desvalorizou 27% no último ano. Nas gôndolas dos supermercados paranaenses, o produto custava R$ 1,98, em média, no mês passado, ante o custo de R$ 2,72 por quilo em março de 2003. O feijão preto desvalorizou 7% no mesmo período e fechou fevereiro cotado a 2,06.
Segundo o analista de mercado Marcelo Luders, da corretora Correpar, de Curitiba, a queda no preço não foi suficiente para recuperar o consumo. Desde julho de 2003, o volume de negócios no atacado reduziu 30%. O índice é um indicativo de queda, na mesma proporção, no consumo do varejo. ''A perda de poder aquisitivo da população aconteceu em maior escala'', analisou.
A costureira Maria do Carmo Alves confirma o quadro descrito pelo analista. Embora sua família cultive o hábito de comer feijão todos os dias, ela só tem servido o prato duas vezes por semana. ''Nos outros dias, substituo por macarrão, polenta, mandioca e verduras de época. O pessoal reclama, mas têm consciência que está difícil comprar comida'', contou.
Proprietária de um restaurante self service no centro de Londrina, Eliane Batista Barbosa também precisa usar a criatividade para driblar a preferência dos clientes pelo arroz com feijão de todos os dias. ''Fazemos polenta, macarrão e saladas variadas, mas as pessoas não abrem mão do feijão. Consumimos seis quilos por dia'', contou ela, que não aumentou o preço da refeição apesar da alta nos alimentos verificada nos últimos meses. ''Tem que usar produtos de época para manter o preço.''
Ao produtor, o preço do feijão carioca registrou alta de 3,8% na semana passada, com relação à semana anterior. O preço praticado é de R$ 63,00 por saca. Segundo o engenheiro agrônomo Richardson de Souza, do Deral, esse valor empata com o custo operacional de produção, sem garantia de lucros. O feijão preto, cotado a R$ 50,40 por saca, acumula alta de 3,4% no período.
Nos últimos 12 meses, o preço do feijão carioca, ao produtor, caiu 35%, enquanto o preto desvalorizou 25%. Em março do ano passado eles custavam R$ 97,00 e R$ 67,50 por saca, respectivamente. Para Richardson, novas valorizações podem ocorrer se a quebra na área e na produção da segunda safra brasileira forem confirmadas. As lavouras de algumas regiões produtivas têm sido prejudicadas pela estiagem.
Luders, da Correpar, confirma a possibilidade, mas avisa que a promessa de uma boa colheita no Nordeste pode neutralizar a falta de oferta esperada. Como choveu nessa região, é possível que os nordestinos cultivem mais feijão de corda, diminuindo o consumo do alimento vindo de outras regiões.

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