A comercialização de feijão reagiu ontem em São Paulo, depois de 15 dias de paralisação do mercado. A cotação da saca de feijão carioca aumentou 7%, passando de R$ 54,00 para R$ 57,00. O reflexo dessa alta pode provocar oscilações no mercado daqui para frente e beneficiar os produtores paranaenses que estão recebendo entre R$ 38,00 e R$ 45,00 a saca e reclamam que a comercialização está paralisada.
A alta do produto no mercado paulista foi provocada pelo fim da oferta das safras da Bahia Goiás. Com isso o produtor de São Paulo sentiu que estava sozinho no mercado e segurou o produto, que resultou nesta alta, disse o corretor Marcelo Luders, da Correpar. Ocorre que a safra de feijão no Paraná está atrasada e não há oferta suficiente para abastecer o mercado paulista.
Segundo Luders, com a alta de preço em São Paulo os corretores se voltaram para os produtores paranaenses que também se retrairam. Com isso a melhor oferta ao produtor no Paraná evoluiu de R$ 40,00 para R$ 45,00 a saca, ontem. Isso porque, ao contrário da semana passada, a procura dos empacotadores está maior que a oferta.
Até o início desta semana eram os produtores que queriam vender e os empacotadores não entravam forte no mercado, com o argumento que a demanda está fraca. Agora a situação se inverteu. O produtor sabe que a safra de feijão vai ter mais quebras e resolveu reter o produto.
A corretora Malucelli, de Curitiba, também constatou uma retração nas vendas de feijão por parte do produtor desde ontem. Para Cicero Malucelli, os empacotadores estão com dificuldades de comprar o produto e por outro lado as vendas também estão fracas, travando a comercialização.
Pressão Enquanto o corretor diz que o produtor está na contramão ao reter o produto, a Secretaria da Agricultura argumenta que o produtor está sendo pressionado pelos empacotadores que querem a redução no preço do feijão. Isso porque eles estão sendo pressionados na ponta do varejo pelas grandes redes supermercadistas e para manterem a margem de comercialização pressionam o produtor, disse a engenheira agrônoma do departamento de Economia Rural, Margorete Demarchi.
A Correpar e a corretora Malucelli admitiram que os empacotadores estão sendo pressionados pelos varejistas. Segundo Luders, enquanto a cadeia produtiva do feijão está trabalhando com pequenas margens que variam entre 3% e 4%, as grandes redes supermercadistas estão trabalhando com margem que varia entre 20% a 30%.
Ocorre que a manutenção do preço elevado no varejo ajuda a inibir o consumo que já está fraco, disse. Além disso, o empacotador vende o produto com prazo de 45 dias e ainda repõe o produto na prateleira, sem que o supermercado tenha custos, destacou Luders.

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