Preço do etanol sobe 4% em Londrina
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Os preços médios da gasolina e do etanol subiram 2,21% e 4,42%, respectivamente, em Londrina, na primeira semana depois do reajuste do combustível fóssil. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgado ontem, o litro de álcool hidratado passou de R$ 1,875 na semana encerrada em 30 de novembro para R$ 1,958 no último dia 7. A gasolina foi de R$ 2,941 para R$ 3,006.
Para os produtores de etanol, o aumento aprovado pelo governo no último dia 29, de 4% para a gasolina nas refinarias, é a chance de realinhar os preços do biocombustível. Eles reclamam que os custos de produção chegam a R$ 1,28 por litro, mais do que o preço de revenda a usinas, de R$ 1,10. Tanto que o mesmo alinhamento de preços ocorreu em 23 estados e no Distrito Federal.
Outro ponto que deve impactar no mercado de combustíveis até o fim do mês é a paralisação na Refinaria Presidente Getulio Vargas (Repar), em Araucária (leia mais no box). Uma explosão na unidade de destilaria no último dia 28 levou à interrupção da produção, o que deve ser normalizado apenas no dia 17. A indústria, que reponde por 10% do refino de combustíveis do País, retomará a capacidade máxima cinco dias depois.
Diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Oclandio Sprenger, o Dinho, afirma que não há chance de desabastecimento no Estado, mas que os preços podem aumentar um pouco até o fim do mês. "Postos e distribuidoras vão precisar trazer combustíveis de refinarias mais distantes, o que vai elevar o custo do frete", conta. As opções mais próximas são as unidades de Paulínia (SP), de Canoas (RS) ou a importação via Porto de Paranaguá.
Dinho acredita que muitos donos de postos foram precavidos, estocaram combustíveis e que, por isso, o consumidor não precisa pensar em guardar gasolina em casa. "A grande preocupação é com o diesel para esse fim de ano."
Competitividade
Mesmo com a variação, a relação entre o custo da gasolina e do etanol fica em 66,87% no Paraná. O biocombustível é mais vantajoso sempre que o percentual ficar abaixo de 70%, o que hoje só ocorre em outros quatro estados, que são Mato Grosso (65,52%), São Paulo (65,85%), Goiás (69,80%) e Mato Grosso do Sul (69,90%).
Presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná, Miguel Tranin afirma que já seria comum o reajuste do preço do etanol em dezembro, porque o setor entra em entressafra. "Algumas correções são feitas nessa época, mas esse aumento não está atrelado ao outro (da gasolina)", diz.
Tranin, porém, não vê grande vantagem no reajuste da gasolina. "Como também houve aumento de 8% no preços do diesel, isso afeta nossos custos de transporte e praticamente anula qualquer melhoria de competitividade."
Para o presidente da Alcopar, somente uma elevação de 10% nos preços da gasolina atenderia as necessidades do setor sucroalcooleiro. "Mas não sei se seria a melhor solução, porque prejudicaria o consumidor. Talvez fosse melhor aumentar a incidência de tributos sobre a gasolina, como a Cide, porque a desoneração beneficiou apenas a refinaria."
Ele lembra ainda que o setor criou um grupo de estudos, que debate com o governo propostas como criar um marco regulatório para dar segurança ao setor e aos investidores, reduzir tributos sobre a produção de álcool e formar uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para ampliar a pesquisa sobre a cana. "São produzidos hoje 7 mil litros de álcool por hectare e sabemos que poderia chegar a 12 mil", diz Tranin.
Sem investimentos, ele afirma que a renovação dos canaviais ficou aquém do esperado. "Deveria ser de 20% ao ano e ficamos em 17%. Isso diminui a produtividade."



