Em plena safra, o preço do etanol hidratado e do anidro vendido nas usinas atingiu o maior valor em período de safra desde 2003. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. Na última sexta-feira, o litro do hidratado saiu da usina por R$ 1,24 e o do anidro por R$ 1,43, ambos sem frete e impostos. Se comparados ao mesmo período do ano passado, esses preços indicam alta de 49,9% no etanol hidratado e de 47,9% no anidro.
Em relação à 2011, os preços são os mais altos desde o fim de abril para o hidratado e desde o início de maio para o anidro. Segundo o Cepea, o etanol só atingiu valores semelhantes entre os meses de março e abril deste ano, período de entressafra e consequente início da escalada de preços. O ápice foi de R$ 1,63 o litro do hidratado em 25 de março e R$ 2,72 o litro do anidro em 20 de abril.
Produção reduzida
Ainda de acordo com o Cepea, em anos anteriores, o etanol atingiu preços bem mais baixos durante a safra devido à grande oferta do produto. No entanto, na semana passada, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) divulgou uma queda de 12% na moagem de cana na atual safra, o que equivale a 40,4 milhões de toneladas a menos, além de uma redução de 31% na produção do hidratado, o que representa 3,4 milhões de litros do combustível a menos circulando no mercado.
De acordo com o superintendente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), José Adriano da Silva Dias, a elevação de preços indica redução de produção. Segundo ele, a estimativa é de que esta safra seja 9,8% menor do que a anterior. O Estado possui, hoje, uma área de 710 a 720 mil hectares cultivados com cana. ''Um dos motivos para a queda de produção é o envelhecimento dos canaviais. Não investimos no setor desde 2008 por escassez de recursos'', argumenta Dias.
O superintendente da Alcopar afirma que em 2008 e 2009 os canaviais paranaenses não passaram por renovação e, em 2010, apenas 10% da área foi recuperada. ''Todo ano, o setor precisa recuperar 20% das lavouras. Hoje, 50% da área com produção no Estado necessita ser renovada'', salienta. Além disso, Dias lembra que as geadas registradas em junho no Paraná também afetaram a produção.
''A única saída é voltar a investir no setor para estabilizar o mercado'', avalia Dias. Segundo ele, até o momento, cerca de 60% da safra paranaense de cana-de-açúcar já foi colhida. No Paraná, a safra segue até novembro.(Com Folhapress)

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