Bra­sí­lia - O pre­si­den­te da ­União da In­dús­tria de Ca­na-de-Açú­car (Uni­ca), Mar­cos ­Jank, afir­mou on­tem que os pre­ços do eta­nol de­vem con­ti­nuar em al­ta até o iní­cio da pró­xi­ma sa­fra, em mar­ço. Um dia ­após a Fi­pe in­for­mar que o pre­ço do ál­cool su­biu 14,08% em São Pau­lo em 30 ­dias, até 23 de ou­tu­bro, ­Jank e re­pre­sen­tan­tes do se­tor se en­con­tram com o mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra, Rei­nhold Ste­pha­nes, pa­ra tra­tar do te­ma.
  ­Jank dis­se que a sa­fra ­atual se es­ten­de­rá até o Na­tal por con­ta do atra­so oca­sio­na­do na co­lhei­ta em fun­ção do al­to ín­di­ce de chu­vas. ‘‘Cer­ca de 30% da sa­fra ain­da vai ­acontecer’’, pre­viu. Ao mes­mo tem­po, ele es­pe­ra que a sa­fra do ano que vem co­me­ce um mês ­mais ce­do, em mar­ço, por­que há a ex­pec­ta­ti­va de so­bra de 50 mi­lhões de to­ne­la­das de ca­na de um ci­clo pa­ra o ou­tro. ‘‘Te­re­mos pre­ços ­mais al­tos até mar­ço, mas em re­la­ção à que­da ve­ri­fi­ca­da nos úl­ti­mos ­anos. De­pois po­de ocor­rer uma ­redução’’, pro­je­tou.
  Na reu­nião, ­Jank apre­sen­tou ao mi­nis­tro os nú­me­ros do se­tor so­bre o an­da­men­to da sa­fra, o abas­te­ci­men­to e as pers­pec­ti­vas. ‘‘São nú­me­ros mui­to ­bons’’, ga­ran­tiu. Ele ale­gou que, ­além do im­pac­to das chu­vas, a ace­le­ra­ção dos pre­ços de­ve-se a um ce­ná­rio de ­dois ­anos de pre­ços de­pri­mi­dos. ‘‘A rea­ção é ­natural’’, ava­liou. Se o tem­po per­mi­tir, se­gun­do ­Jank, a ofer­ta se­rá res­ta­be­le­ci­da em al­guns me­ses. Por is­so, de acor­do com ele, a pro­pos­ta da Uni­ca é de ma­nu­ten­ção da mis­tu­ra do ál­cool ani­dro em 25% da ga­so­li­na. ‘‘Mu­dan­ça de re­gra é al­go sem­pre ­complicado’’, con­si­de­rou.
  Quan­do os pre­ços dis­pa­ra­ram, Ste­pha­nes che­gou a con­si­de­rar a pos­si­bi­li­da­de de re­du­ção do mix, mas, na se­ma­na pas­sa­da, des­car­tou a hi­pó­te­se, ale­gan­do que uma al­te­ra­ção des­se ti­po po­de­ria tra­zer ou­tras con­se­quên­cias ne­ga­ti­vas. Mes­mo as­sim, en­con­tros en­tre pro­du­to­res e o go­ver­no, co­mo o que acon­te­ceu on­tem, de­vem se re­pe­tir a ca­da 15 ­dias até o fi­nal des­sa sa­fra.
  Se­gun­do ele, as ex­por­ta­ções de ál­cool pa­ra os Es­ta­dos Uni­dos e a Eu­ro­pa, prin­ci­pal­men­te, de­vem re­cuar 50% es­te ano na com­pa­ra­ção com 2008 por con­ta da de­man­da me­nos aque­ci­da. ‘‘Não ve­jo ne­nhum si­nal alen­ta­dor pa­ra a re­to­ma­da das ­exportações’’, dis­se, ci­tan­do, en­tre ou­tros pro­ble­mas, a que­da do dó­lar em re­la­ção ao ­real e tam­bém a di­mi­nui­ção da co­ta­ção do mi­lho nos Es­ta­dos Uni­dos, ma­té­ria-pri­ma uti­li­za­da pa­ra a pro­du­ção de eta­nol.

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