Preço do etanol deve continuar em alta até março
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, afirmou ontem que os preços do etanol devem continuar em alta até o início da próxima safra, em março. Um dia após a Fipe informar que o preço do álcool subiu 14,08% em São Paulo em 30 dias, até 23 de outubro, Jank e representantes do setor se encontram com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para tratar do tema.
Jank disse que a safra atual se estenderá até o Natal por conta do atraso ocasionado na colheita em função do alto índice de chuvas. Cerca de 30% da safra ainda vai acontecer, previu. Ao mesmo tempo, ele espera que a safra do ano que vem comece um mês mais cedo, em março, porque há a expectativa de sobra de 50 milhões de toneladas de cana de um ciclo para o outro. Teremos preços mais altos até março, mas em relação à queda verificada nos últimos anos. Depois pode ocorrer uma redução, projetou.
Na reunião, Jank apresentou ao ministro os números do setor sobre o andamento da safra, o abastecimento e as perspectivas. São números muito bons, garantiu. Ele alegou que, além do impacto das chuvas, a aceleração dos preços deve-se a um cenário de dois anos de preços deprimidos. A reação é natural, avaliou. Se o tempo permitir, segundo Jank, a oferta será restabelecida em alguns meses. Por isso, de acordo com ele, a proposta da Unica é de manutenção da mistura do álcool anidro em 25% da gasolina. Mudança de regra é algo sempre complicado, considerou.
Quando os preços dispararam, Stephanes chegou a considerar a possibilidade de redução do mix, mas, na semana passada, descartou a hipótese, alegando que uma alteração desse tipo poderia trazer outras consequências negativas. Mesmo assim, encontros entre produtores e o governo, como o que aconteceu ontem, devem se repetir a cada 15 dias até o final dessa safra.
Segundo ele, as exportações de álcool para os Estados Unidos e a Europa, principalmente, devem recuar 50% este ano na comparação com 2008 por conta da demanda menos aquecida. Não vejo nenhum sinal alentador para a retomada das exportações, disse, citando, entre outros problemas, a queda do dólar em relação ao real e também a diminuição da cotação do milho nos Estados Unidos, matéria-prima utilizada para a produção de etanol.


