O consumidor esperava mais facilidades para a compra de combustível a partir de 1997, quando chegou ao fim o monopólio da Petrobras. Sete anos depois, a medida que deveria beneficiar os motoristas, com base na lei de concorrência, oferta e procura, confunde ainda mais por promover distorções de preços entre postos de gasolina no mesmo estado, como no caso do Paraná.
Alfonso Alves dos Santos, estudante de Direito da Universidade Filadélfia (Unifil), em Londrina, é um dos motoristas que se sente ludibriado pelas revendas de combustíveis. Apresentando notas fiscais recebidas em abastecimentos em cinco postos de diferentes cidades do estado, Santos não consegue entender os motivos para a diferença de preços. Algumas notas apresentam custo de R$ 1,799 por litro de gasolina, em postos de Cascavel (Oeste do estado), enquanto outros lugares vendem o combustível por até R$ 2,47, justificado pela aditivagem e pela compra feita à prazo.
Santos também apresentou à reportagem da Folha notas de postos de Londrina, onde a gasolina é vendida pelo preço médio de R$ 2,07. ''O que eu queria realmente entender é porque nossa cidade, um pólo regional, tem um dos combustíveis mais caros do estado'', pergunta. Alguns dos gerentes dos postos pelos quais Santos passou se propuseram a explicar.
''Hoje em dia, a concorrência é o principal fator para determinação dos preços'', afirma o gerente do Posto Camilo, Ivo Leobet, em Marechal Cândido Rondon, onde a gasolina é vendida por R$ 1,86. Influenciada decisivamente pela abertura proporcinada às revendas com a concessão de bandeira branca (liberdade para que os postos vendam o combustível do distribuidor que lhes convém), a concorrência realmente colaborou para a redução dos preços, mas em compensação trouxe à tona um problema igualmente grave para o consumidor: a adulteração.
''Nós trabalhamos com bandeira fixa, o que praticamente inviabiliza a venda de gasolina adulterada'', diz Leobet. E na tentativa de manter as margens de lucro em patamares razoáveis, alguns postos acabam por optar pela ilegalidade, vendendo combustível fora dos padrões da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O resultado é que, somente em Londrina, 11 postos foram autuados e três deles interditados em 2003, segundo o site da ANP.
Teoricamente, eventuais diferenças de preços são concedidas na forma de desconto por distribuidoras para revendas de acordo com o volume de vendas de cada posto. É o que explica o proprietário de um posto de Londrina, Emílio Sérgio Santaella. ''Numa situação ideal, as companhias fariam o mesmo preço para todos os postos. Mas também é avaliada a concorrência de cada região e elas, nessa caso, também podem dar descontos'', diz.
As diferenças de preços entre companhias são justificadas em parte pelas diferenças de estrutura entre elas. Companhias com maios capacidade logística tem mais capacidade para oferecer preços melhores. Isso também em teoria, segundo alguns dos gerentes consultados pela reportagem.
Em Londrina, a acusação por parte dos gerentes de concorrência desleal é frequente. E em meio a acusações de formação de cartel, gerentes administram postos com margens de lucro de cerca de R$ 0,10 por litro de combustível, considerada baixa.

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