Preço do cimento dispara
Cesar AugustoPRESSÃO NOS CUSTOSPriscila Vilar, de construtora em Londrina: ‘‘Não podemos repassar os aumentos para os condôminos, porque eles não têm tido reajustes salariais nos £ltimos anos’’Os constantes aumentos que vêm ocorrendo nos preços do cimento desde o início do ano preocupam o setor da construção civil. De janeiro até agora, o produto ficou cerca de 50% mais caro, inviabilizando obras e dificultando a administração das construtoras. ‘‘O assunto é sério. O monopólio do cimento será discutido em encontro que começa no próximo dia 20 em Salvador’’, disse o presidente do Sinduscon em Londrina, Clóvis Coelho.
‘‘O governo deveria fiscalizar melhor os aumentos e dar um basta nesta situação’’, afirmou ele, recomendando que o setor da construção civil se organize para tentar coibir os ‘‘abusos’’. Um dos principais insumos da construção, o cimento é usado em quase todas as etapas da obra, da alvenaria ao revestimento. ‘‘Em todo o Mercosul, estamos nas mãos de três ou quatro empresas produtoras de cimento’’, reclamou.
A proprietária da Construtora Mavilar, Priscila Vilar, calcula que o insumo represente 23% do total do custo da obra. Com 14 prédios em construção na cidade, a Mavilar consome 3,6 mil sacos de 50 quilos por mês do produto. ‘‘Não podemos repassar os aumentos para os condôminos, que não têm tido reajustes salariais. E ficamos sem opção para comprar. É um verdadeiro cartel’’.
A empresária pagou ontem, R$ 8,67 pelo saco de 50 quilos que, em janeiro, custava R$ 6,93. ‘‘Na semana passada, o cimento aumentou 7,82%’’, disse Priscila. Segundo ela, as construtoras não vão suportar tamanha quantidade de rejustes. ‘‘Fizemos programa ISO 9000 para tentar reduzir custos internos mas perdemos lucratividade com o cimento’’.
Os aumentos nos preços do produto têm prejudicado mais os pequenos consumidores do que as construtoras, na opinião do proprietário do Depósito Alvorada, Luiz Carlos Pereira. ‘‘As empresas compram a granel direto das indústrias e têm maior poder de negociação’’. No último sábado, o saco de 50 quilos custava R$ 9,15 no Alvorada. Ontem, era R$ 9,80.
Desde janeiro passado, Pereira contabiliza uma queda de 30% nas vendas do produto. ‘‘Para tentar minimizar os impactos, baixamos nossa margem de lucro de 22% para 15%’’, disse. Segundo ele, muitos consumidores migraram para marcas de segunda linha (que custa R$ 8,15).
O proprietário do Artefatos de Cimento Londrina, Jonas Roberto Santini, também reclama dos aumentos. ‘‘Mas estamos de mãos atadas. Só revendemos o produto’’, afirmou. ‘‘Os boatos no mercado são de que o cimento custará US$ 6 até o final do ano’’. (Cláudia Lopes)

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