Preço do carioca sobe 10% em apenas três dias
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terça-feira, 27 de janeiro de 1998
Guto Rocha 
As cotações do feijão carioca extra subiram em média 10% entre sexta-feira e ontem no Paraná, passando de R$ 45,00 a saca de 60 kg, para até R$ 55,00 na região de Castro. Segundo a técnica do Deral, Vera Zardo, considerando todos os padrões de qualidade, o produto subiu em média 3% no Paraná, sendo cotado ontem a R$ 29,81/saca. A alta se deve a escassez do produto, afirmou.
A técnica do Deral observou que no Paraná, a colheita da safra das águas já atinge 85% da área, entre feijão de cor e o feijão preto. Vera disse que no Paraná, a safra teve uma quebra total de 50 mil toneladas, sendo 30 mil de feijão preto e 20 mil toneladas de feijão de cor. Das 433 mil t previstas para esta safra, o Paraná só vai colher 383 mil t.
As perdas nas lavouras de feijão preto foram provocadas pelo excesso de chuva no período de plantio (outubro/novembro). Com isso, o feijão preto também tem cotações firmes, variando entre R$ 49,00 e R$ 55,00. O excesso de chuva também provocou perdas nas lavouras de feijão carioca, só que no período de colheita. Houve perda de produtividade, mas principalmente de qualidade, disse a técnica.
O cerealista José Castro Ferreira, da Cerealista Beija-Flor, de Castro, disse que ontem o mercado abriu com a saca do feijão carioca extra cotada a R$ 50,00, e acabou fechando em R$ 55,00. A quebra da safra baiana fez com que os compradores paulistas entrassem no Paraná.
Procura Segundo Ferreira, a procura ontem era muito grande, fazendo com que muitos produtores saíssem do mercado para forçar ainda mais o mercado. Acredito que as cotações podem subir ainda mais, considerando que hoje (ontem) não é um dia com grande movimento no mercado, comentou.
O cerealista Delcio de Oliveira Sisti, Feijão de Ouro, de Maringá, afirmou que as cotações do feijão extra atingiram ontem no máximo R$ 52,00. Não acredito que tenha chegado a R$ 55,00, já estão forçando, comentou. Ele disse que a alta ficou restrita ao feijão carioca extra porque quase não há oferta deste tipo de produto. Já o feijão tipo 2, que tem grande volume de oferta, ficou estável em R$ 35,00, afirmou.
As altas temperaturas têm prejudicado lavouras extemporâneas cultivadas com irrigação nas regiões de Londrina, Maringá e Norte Pioneiro. Apesar da umidade, o calor tem provocado abortamento floral.


