Preço do café sobe por causa da seca
Guto Rocha - de Londrina
e Vânia Casado - de Curitiba
A seca que atinge as regiões produtoras de café no Brasil provocaram alta das cotações do produto nos mercados interno e externo. No Paraná, o café bebida dura chegou a R$ 150,00/saca de 60 kg, alta de R$ R$ 5,00/saca (+3,45%) em relação ao dia anterior. Na Bolsa de Nova York, os contratos de café para dezembro fecharam com alta de 440 pontos.
Ainda não há levantamento oficial da quebra que a seca deve provocar nas lavouras do País. Mas o engenheiro agrônomo do Departamento Nacional do Café (Denac), Francisco Barboza Lima, estima que a safra 2000/2001 deve ter uma quebra entre 15% e 20%. O mercado trabalhava com uma previsão de safra entre 2,6 e 2,8 milhões de sacas. Os efeitos das geadas foram minimizados, mas o que se percebe que o componente geada na perda é maior do que a seca, comentou.
Lima afirmou que as lavouras mais novas estão sentido mais a seca. Ele observou que o problema pode se agravar caso não chova nos próximos 15 dias. A situação piorou com a elevação da temperatura nos últimos dias. As lavouras estão murchas, e perderam muitas folhas, disse.
O vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Paraná, Devanil Vicente Ferreira, diz que a seca faz com que os produtores segurem as ofertas, com medo de não haver produto quando as cotações estiverem mais altas. Ele observou que os preços ainda estão retraídos por causa da queda do consumo provocada pelo verão europeu. Mas a partir de outubro e novembro, com a chegada do inverno na Europa, os preços começam a se recuperar, e se a seca persistir, as cotações podem subir ainda mais, comentou.
Ferreira observou que ontem os produtores de café do cerrado mineiro divulgaram um boletim indicando perdas nas lavouras por causa da estiagem. A notícia refletiu imediatamente na Bolsa de Nova York.
O corretor observou que a primeira florada dos cafezais, em setembro, já está comprometida pela seca. As plantas estão debilitadas pela colheita, depois a geada e agora a seca, provavelmente esta primeira florada deverá ser abortada, comentou. Ele disse que a primeira previsão do USDA indicava uma produção nacional de 45 milhões de sacas. Mas com estes problemas climáticos, esta previsão fica furada, afirmou.
Escassez até dezembro Mesmo que a ocorrência de chuvas volte à normalidade em setembro, conforme está sendo previsto, a perspectiva é que haja escassez de chuvas no último trimestre do ano. A previsão do Simepar é que a média de precipitação fique abaixo do normal no Paraná e no Mato Grosso do Sul, regiões que estão enfrentando quadro de estiagem, em muitos casos, há 65 dias. Ele ressalva que a previsão foi feita no mês passado, para o trimestre julho, agosto e setembro. Mas com o prolongamento da estiagem, o Simepar poderá fazer estudos mensais sobre o comportamento do clima.
Segundo Alexandre Guetter, do Simepar, a situação decorrente da falta de chuvas é mais grave na região Noroeste, onde já se caracteriza um clima de anormalidade. Em Palotina e Cascavel, há 20 dias seguidos sem chuvas, e em grande parte do Estado a média sem chuvas é de 30 dias. A estiagem está sendo provocada pelo fenômeno La niña, que ao contrário de desaparecer como estava previsto, pode se fortalecer.
Guetter ressalvou que por enquanto o la niña está com fraca intensidade e que deverá haver uma definição mais clara do fenômeno dentro de 30 dias. Se o fenômeno se fortalecer, o Simepar fará um monitoramento mensal a respeito do clima, explicou. Para o técnico, os produtores podem aproveitar o período de retorno à normalidade para realizar o plantio em setembro, já que as chuvas podem se tornar escassas a partir de outubro. Para os próximos dias, o Simepar prevê chuvas esparsas em algumas regiões.





