Preço do café sobe, mas produtores não se animam
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Especulações na bolsa de Nova Iorque elevaram o preço do café no mercado interno durante esta semana. Desde segunda-feira, em Londrina, o café tipo 6 bebida dura está cotado a R$ 165,00 por saca. A valorização é de R$ 5,00 em relação à semana passada. O produto de bebida rio acompanhou a alta e chegou a R$ 150,00.
Na terça-feira, após atingir 310 pontos positivos nos contratos com vencimento para março de 2004, a Bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 250 pontos. Segundo o corretor Marcos Bacetti, de Londrina, a movimentação dos especuladores indicava que o mercado podia atingir até 800 pontos. Como a valorização estimulou alguns países a venderem café, o mercado estabilizou.
Bacetti acredita que a tendência dos preços é de estabilidade com potencial de alta. A longo prazo, porém, aposta em explosão das cotações, estimulada por diminuição da produção. ''Os produtores enfrentam um cenário de custos altos e preços baixos. Essa dificuldade acabará causando um colapso'', acredita.
O produtor Wilson Baggio, presidente da comissão técnica do café da Federação da Agricultura e Pecuária (Faep), comentou que o governo precisa trabalhar para reverter a crise da cafeicultura. O passo inicial foi a prorrogação do prazo para pagar alguns financiamentos contraídos em safras passadas com vencimento em 31 de dezembro de 2003.
''Mas o que a lavoura precisa é de um estudo para a redução do estoque da dívida'', disse. Ele também sugere o estabelecimento de ''warrents'' - financiamento para estocagem em armazéns gerais sem prazo determinado para pagamento. ''Quando a data para retirada é pré-estabelecida, o mercado aproveita que o produtor é obrigado a vender e reduz os preços'', afirmou ele.
Baggio comentou que o café, para remunerar o produtor, teria que estar cotado a R$ 220,00. Com os preços de hoje, quem permanece na atividade acumula prejuízos. A consequência é que muitos cafeicultores está erradicando lavouras. ''Especula-se que a erradicação pode chegar a 700 mil hectares (ha) em 2004'', informou ele, que vai substituir 20% dos seus cafezais por lavouras de grãos. O Brasil deve manter, na safra 2003/2004, 2,2 milhões de ha. A colheita da safra 2003/2004 atingiu de 28 milhões a 30 milhões de sacas. O número é 40% menor que o estimado na safra anterior.


