O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) corrigiu ontem sua previsão de safra para o café brasileiro. Pelas projeções do USDA serão 24 milhões e não 28 milhões de sacas conforme havia previsto no mês passado. A Bolsa de Nova York reagiu ontem de imediato com alta de 595 pontos para contratos de agosto.
Ao dar a informação, o presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Antônio Abrão, disse que o mercado interno também reagiu. No Norte do Paraná o preço subiu em média R$ 5,00/saca, segundo ele. Abrão disse que a previsão traz tranquilidade ao mercado que vinha fechando em baixa desde a previsão superestimada do mês passado. O mínimo que se espera, agora, é que mercado se estabilize. ‘‘É uma informação positiva - disse - e, portanto, seus efeitos também devem ser positivos’’. Antonio Abrão foi um dos que consideraram totalmente exagerada a previsão anterior do USDA.
A Corretora Carraro Agrobusiness, de Maringá, atribuiu os novos números da safra de café ao Adido Agrícola norte-americano e não ao USDA. O operador de Mercado Walter Coutinho acha que a reação do mercado teria sido maior, se fosse cofirmada pelo USDA. O mercado também recebeu ontem a previsão de uma exportadora (a Tristão Cia. de Comércio Exterior) que estimou a safra 97/98 em 25,6 milhões de sacas.
‘‘Ainda é muito’’ O presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Newton Carneiro, disse que 24 milhões de saca ‘‘ainda é muito’’, pelo menos 10% acima da previsão mais confiável, que é o número com que a Apac e outras entidades trabalham.
No começo da semana, ao ser entrevistado sobre o mercado, Newton Carneiro previu que o mercado deveria reagir. ‘‘O preço do café caiu nos últimos dias mas o mercado não vai ceder mais. Foi um recuo temporário, efêmero, em consequência, de fatores não relacionados ao mercado. O principal fator que dá sustentação aos preços permanece: é a posição dos estoques, que estão baixos’’, explicou.
O empresário relacionou outros fatores que concorrem para manter o mercado firme, entre eles a ausência de cafés colombianos que só retornam ao mercado em novembro. A Colômbia e quase toda a América Central ofertaram seus cafés no repique dos preços.
Ao fazer rápida análise do mercado, o presidente da Apac lembrou também que esta é uma época de pouco consumo de café e aumento da demanda de sucos e refrigerantes, tanto nos Estados Unidos como na Europa. As indústrias de torrefação dão férias coletivas. Em agosto/setembro o mercado volta com força total. No entanto, os estoque continuam baixos.
Fator qualidade Além dos estoques baixos, outra variável que irá exercer influência sobre os preços será o fator qualidade. Os cafés colhidos pelo sistema tradicional - derriçado, rastalado, amontoado e abanado -, tendem a perder qualidade. Choveu muito no período de colheita. A oferta de cafés de boa qualidade será bem menor nesta safra.
O mercado vai saber valorizar esses cafés, mas certamente sentirá a escassez de oferta. Toda vez que chove na época de colheita, em que há grande quantidade de café no chão, o resultado é uma produção de café que ‘‘não bebe bem’’, conforme linguagem do mercado. Se o efeito do fenômeno ‘‘El ni¤o’’ se estender por muito tempo, a perda da qualidade será maior.

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