Preço do café pode cair mais, prevê Sindicato dos Corretores
Oswaldo Petrin
De Londrina
O mercado cafeeiro deve recuar nos próximos dias em consequência de três fatores: a) Grande pressão de vendas da América Central, Colômbia e México; b) Fim do inverno europeu, quando normalmente o consumo cai; c) Os exportadores estão estocados pois, na expectativa de alta de preços, anteciparam suas compras.
A análise foi feita segunda-feira pelo vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Paraná (Sincafé), Devanil Vicente Ferreira. Devido à pressão de venda da Colômbia, América Central e México, o mercado vem recuando desde o dia 10 de dezembro, lembra Devanil. A América Central vinha trabalhando para vender café a níveis de US$ 0,80 por libra-peso, e encontrou um mercado neste período de US$ 1,40 cents por libra-peso. Consequentemente, os países da América Central foram vendendo toda a produção. E nós estamos perdendo espaço, na expectativa de que o mercado volte a trabalhar nos preços daquela data.
O quadro das exportações ilustra bem a situação. Em novembro de 99: 2.070.000 sacas; em dezembro: 1.950.000 sacas. Em janeiro caiu para 1 milhão de sacas. Previsão para fevereiro e março, em torno de 800.000 sacas/mês. O exportador se encontra com estoque pois antecipou suas compras imaginando que o mercado continuaria crescendo neste início de ano.
A tendência do mercado é estacionar ou até recuar em preço, já que em março termina o inverno europeu e automaticamente cai o consumo. A nossa preocupação - afirma Devanil - é com o volume vendido lá fora pois estamos perdendo espaço e divisas.
Alternativas Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Corretores, o governo poderia tomar algumas medidas, como a redução dos leilões mensais já que o mercado está saturado com o volume de café ofertas. A suspensão dos leilões pode fazer com que haja uma procura maior por parte do torrador fortalecendo o mercado interno. Devanil lembra que nos últimos leilões só 50% do café ofertado foi comercializado. Outra opção seria antecipar a divulgação da safra 2000/2001 já que todos sabem que essas safra não atingirá os 28,9 milhões divulgados no final de dezembro.
No mais, é torcer para que haja um fato novo, como eventual quebra de safra na Colômbia de 9,3 milhões para 8 milhões de sacas. Com isto, a Colômbia reduziria suas vendas. Se nenhuma dessas variáveis ocorrer poderemos amargar preços ainda menores.
Sugestão de Devanil: O produtor precisa parar e pensar neste momento pois o atual preço do café, mesmo com todo o recuo que tem sofrido (de R$ 250,00/260,00 em dezembro, para os atuais R$ 195,00/200,00) ainda é um ótimo preço: US$ 110,00.





