SÃO PAULO - O preço do café disparou ontem nos mercados internacionais. Na Coffee, Sugar and Cocoa Exchange, de Nova York, o spot (próximo contrato a vencer, março) chegou a subir 800 pontos. O contrato bateu em 147,80 cents por libra-peso, a mais alta cotação desde agosto de 1995. Mas um movimento de realização de lucros de fundos e especuladores fez o preço recuar, fechando a 144,60 cents por libra-peso, alta de 510 pontos. Maio, o contrato seguinte, ficou em 138,90 cents, alta de 430 pontos. Julho avançou 410 pontos, chegando a 135,30 cents.
Ao contrário das temporadas anteriores, o espaço deixado pela entressafra brasileira nesta época do ano não foi ocupado pelo café da Colômbia nos negócios com a variedade arábica. Greve dos caminhoneiros colombianos seguida por paralisação dos estivadores naquele país impulsionaram as cotações desde o final do ano passado. Com nova ameaça dos caminhoneiros, agora de organizar uma greve nacional em fevereiro, prejudicando o fluxo de café para os países importadores, os torrefadores buscam se garantir nos mercados futuros já que adotaram a política de trabalhar com estoques baixos.
Em encontro no Rio de Janeiro na semana passada, representantes da Associação dos Países Produtores de Café informaram que os importadores mantêm 7,5 milhões de sacas em seus armazéns. Esse número chegou a 20 milhões de sacas em 1993. A Bolsa de Londres, que negocia basicamente o café robusta, também fechou em alta, acompanhando o arábica de Nova York. A tonelada para janeiro ficou em US$ 1.595, valorização de US$ 55. Março subiu US$ 91, para US$ 1.570.
Mercado interno Os mercados internacionais também antecipam a perspectiva de redução na safra brasileira. Segundo o secretário de Produtos de Base do Ministério da Indústria e do Comércio, Maurício Assis, a colheita do País neste ano não deve ultrapassar 20 milhões de sacas, ante 25 milhões no ano passado. A Cooperativa de Garça (SP) já contabilizou este mês a venda de quase 30 mil sacas, o dobro da média de janeiro, informa seu presidente, Manoel Bertone. Esse ritmo de vendas se repete em outras cooperativas, relata Gilson Ximenes, dirigente do Conselho Nacional do Café. ‘‘Vamos chegar zerados, sem carry-over (estoque de passagem), ao final da entressafra’’, afirma Ximenes.
A alta do produto nos mercados internacionais reflete-se com intensidade nos negócios internos. Em Varginha (MG), a saca do tipo 6 duro avançou 53,8% desde o início de dezembro, passando de R$ 117 para R$ 180 ontem, segundo apurou o AgroCast, serviço de informação de abribusiness em tempo real da AGÊNCIA ESTADO. Com o incremento do preço da matéria-prima, as torrefações planejam reajustar seus preços em até 38%, o que implica chegar à casa de R$ 5 o quilo. Em alguns casos, o aumento pode devolver o preço a R$ 7, mesmo patamar da época do lançamento do real, em julho de 1994. As empresas esbarram na resistência dos varejistas em majorações tão acentuadas.
Na quarta-feira da próxima semana o governo promove leilão de 200 mil sacas dos estoques oficiais, volume considerado insuficiente pelos industriais. Para o presidente do Sindicafé, Nathan Herszkowicz, são necessários 350 mil sacas ao mês, o equivalente a 35% do consumo mensal, para que os blends (misturas) permaneçam com qualidade.

mockup