Arquivo FolhaMedo do frioMercado externo reage com nervosismo ao anúncio da chegada do inverno em regiões produtoras do BrasilOs preços do café estavam em efervescência ontem no mercado de Londres, que viveu um pregão muito agitado, sempre influenciado por Nova Iorque: o preço de referência do grão, entrega em julho, subiu mais de 15% em relação à véspera.
O progresso do robusta (café produzido pela Ásia e África) no Liffe londrino, foi espetacular: o preço de referência, entrega em julho, chegou a 2.600 dólares por tonelada, ou seja, um aumento de 342 dólares em relação à quarta-feira à noite, quando já tinha ganho 156 dólares no mercado de futuros.
A situação do mercado é tão tensa e a alta do preço do café em Londres e em Nova Iorque tão forte que os corretores se perguntam se obedecem às mesmas explicações dadas até agora: a diminuição das reservas - que estão em seus níveis mais baixos em 20 anos, tanto nos países consumidores como produtores -, e a escassez da oferta.
A situação se aplica principalmente ao arábica, café de qualidade superior negociado em Nova Iorque, enquanto que ‘‘não há tantos problemas para o robusta’’, o café de menor qualidade cotado em Londres.
Os analistas concordam que a alta do grão nos dois mercados é explicada pela forte demanda do arábica no mercado de Nova Iorque, onde o preço aumentou 7,7% na véspera.
Fundos especulativos se lançaram sobre os contratos do arábica em Nova Iorque, e este fenômeno foi seguido por campras maciças de torrefatores ontem em Londres, explicaram os analistas.
‘‘Técnicamente, o mercado parece muito forte’’, indicou Neil Beaumont, analista da corretora Prudential Bache. ‘‘Não há qualquer indicação de que esta situação vai acabar. Nunca o mercado esteve em tal efervescência’’, agregou Neil Rosser, especialista da corretora E D and F Man, resumindo assim a tensão entre os operadores do mercado do café.
Em Nova Iorque, onde as cotações chegaram a seu mais alto nível em 20 anos, há temores de geadas no Brasil, e o mercado reage com nervosismo ao anúncio da iminente chegada do inverno nas regiões produtoras brasileiras.

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