A estimativa sobre a safra brasileira de café divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na semana passada, derrubou o preço da commodity. O órgão americano estima uma colheita de 51,6 milhões de sacas, frente aos 45 milhões de sacas esperados pelo governo brasileiro. Diante da notícia de possível aumento na oferta, o preço da saca do café tipo 6 bebida dura, em Londrina, caiu de R$ 180,00 para R$ 150,00 na última semana.
O corretor Marcos Bacceti explicou que a queda poderia ter sido evitada se a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), tivesse divulgado os resultados da safra no último dia 10, quando anunciou a safra de cereais.
''A informação era esperada nessa data. Como o governo não divulgou sua pesquisa, nem rebateu os números da USDA, o mercado internacional entendeu que o Brasil concordou com a previsão americana'', disse.
Para o corretor, o País deveria assumir sua posição de maior produtor mundial e antecipar posições para evitar especulações. ''O maior prejudicado é o produtor, que perdeu R$ 30,00 por saca em uma semana'', avaliou. Ele classificou o atraso na divulgação dos dados como ''amadorismo''. ''A data de anúncio da safra precisa ser cumprida para garantir credibilidade.''
A engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), concorda que a demora do governo federal deu espaço para especulação. Ela esclareceu ainda que os dados do USDA podem ser questionados. ''Eles não têm escritórios em todos os Estados. A análise não é aprofundada'', comentou.
A Conab não apresentou os números da safra de café no dia 10 porque os técnicos de Minas Gerais fecharam o levantamento com atraso. ''Estamos processando os dados'', informou Eledon Oliveira, gerente da área de avaliação de safras. Os resultados só serão divulgados no dia 18 de dezembro.
Próxima safra O mercado espera boa projeção de preços para a safra do ano que vem. Apesar do estoque mundial não sinalizar desabastecimento, a produção será menor, por causa da bianualidade do café. ''O preço não cai'', aposta Bacceti.

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