Preço do boi não anima pecuaristas
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O boi gordo atingiu anteontem a mais baixa cotação em dólar desde maio de 1988. Com a moeda americana cotada a R$ 3,78, a arroba do produto passou a custar U$$ 13,5 dólares, valor considerado muito baixo pelos pecuaristas acostumados a negociar por um preço médio de U$$ 17.
Em real, porém, a arroba do boi gordo valorizou 14% no último ano. De acordo com Fabiano Ribeiro Tito Rosa, analista de mercado da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), os criadores estão segurando os animais no pasto à espera de preços melhores em dólar. Essa atitude, aliada ao atraso na entrada dos animais em confinamento, diminuiu a oferta de boi gordo no mercado e aumentou a cotação em real.
O criador Valdir Lazarini, de Cascavel, afirma que a valorização de 14% não é suficiente para cobrir os custos da atividade. ''Os insumos, indexados ao dólar, subiram 25%. Ainda há uma defasagem de 10%'', considera. Para ele, a atividade traria uma rentabilidade adequada se a arroba do boi gordo fosse vendida a U$$ 22.
José Soares Cardoso Neto, pecuarista em Londrina, lembra que o custo dos bezerros também é atrelado ao dólar, o que encarece a reposição dos animais. ''Com a venda de um boi gordo dá para comprar 2,3 bezerros. O ideal seria que essa relação fosse de 2,7 bezerros por boi'', comenta.
Ele está esperando para vender seus animais porque acredita que o preço vai melhorar. ''Mas em outubro será preciso comercializar os bois que estão em confinamento porque a ração acaba'', afirma.
Apesar da esperança de preços melhores, o analista Tito Rosa orienta os pecuaristas para não esperar muito para vender os animais. ''É bom comercializar enquanto o preço em real está bom, porque a economia está instável e o preço pode cair.''
Com o início da safra de grãos de verão, é mesmo possível que haja queda nos preços do boi gordo, considera o médico veterinário Adélio Borges, chefe do setor do bovinocultura de corte do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab. '' A expectativa é que aumente a oferta de animais para abate quando os produtores começarem a liberar áreas de pastagem para o plantio da safra de verão. A maior oferta pode abaixar o preço '', afirma.


