Preço do boi magro cai na real
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Vânia Casado De Curitiba 
Oferta de bezerro aumenta, mas a relação ainda pende para o lado da reposiçãoDepois de uma alta inesperada há um mês e meio, os preços do gado de reposição estão se ajustando em direção ao preço real praticado no mercado paranaense. Os bezerros Nelore de 6 a 8 meses, que chegaram a ser vendidos até por R$ 195,00 nas grandes praças do Paraná, como Londrina e Paranavaí, estão sendo comercializados por R$ 165,00. Essa queda, no entanto, não representa a volta da prática dos níveis históricos do boi magro, em torno de R$ 120,00 a cabeça, como era no ano passado, argumentou Gustavo Fanaya, assessor do Sindicato da Indústria da Carne no Paraná.
Para o médico veterinário Adélio Ribeiro Borges, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, tudo indica que apesar do ajuste, os preços do gado de reposição vão permanecer num patamar em torno de 30% acima dos preços praticados no ano passado, apesar da pressão dos frigoríficos. Os bezerros de 8 a 12 meses ainda mantêm um acréscimo de 30%, apesar do ajuste das cotações e as fêmeas Nelore estão com preços entre 34% e 35% acima dos praticados em 1996, quando eram vendidas a R$ 82,00. Esse ano estão sendo vendidas por R$ 110,00.
Abate de fêmeas Essa alta de preços no mercado é decorrente da concentração do abate de fêmeas, nos últimos dois anos, que provocou a redução da oferta de gado para reposição, justificou Adélio Borges. E o abate de fêmeas de forma indiscriminada foi motivado pela necessidade de o criador fazer caixa no final do ano passado. O produtor ficou desestimulado com o comportamento dos preços, que ficaram abaixo das expectativas, entre R$ 23 e R$ 23,50 a arroba, e preferiu segurar o boi gordo, à espera de melhores preços e descartar as matrizes.
Já o setor de frigoríficos tem outra leitura sobre a oscilação de preços do gado de reposição de forma acentuada. Segundo Fanaya, o aumento no preço dos bezerros ocorreu mais por especulação de mercado, o que fez as cotações subirem mês a mês. Esse desempenho, considerado excepcional, aqueceu o mercado de bezerros até ser afetado pela estiagem que encareceu os custos de compra de ração e suplementação alimentar dos animais, obrigando a uma parada nos investimentos. A chegada do inverno também contribuiu para acelerar essa decisão, acrescentou.
Em plena safra Inclusive na opinião do Sindicato da Indústria, o aumento nos preços do gado de reposição induziu a alta nos preços da arroba do boi gordo, em plena época de safra. Em janeiro a cotação estava beirando os R$ 25,00 a arroba, um valor que o mercado não conseguiu absorver. Nesse final de mês, é que o preço do boi gordo caiu novamente, para R$ 21,00 em média, por causa da estiagem que secou as pastagens, obrigando a venda do gado. Nessa oscilação de preços, saiu perdendo o terminador com a relação de troca boi gordo e boi magro, salientou Adélio Borges. Isso porque no ano passado ele comprava entre 3,1 e 3,2 bezerros com a venda de um boi agordo. E este ano está conseguindo comprar 2,3 a 2,4 bezerros com a venda de um boi gordo.
Mesmo assim a relação ainda está acima dos níveis históricos para o Sindicato da Indústria da Carne. Na avaliação de Fanaya, o pecuarista não terá muito espaço para novas altas daqui para frente, já que tem mais gente disposta a vender bezerro do que comprar. Houve uma saturação de mercado e agora o criador está querendo recuperar os investimentos que fez na compra de bezerros a um preço acima da realidade, com a venda do boi gordo, afirmou Fanaya.


