Preço do boi gordo sobe 15,7% no PR
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Guto Rocha 
As cotações da arroba do boi gordo voltaram a subir ontem no Paraná, ficando em R$ 33,00 com prazo de pagamento de 30 dias. Com esta nova alteração, os preços do animal para abate já acumulam alta de 15,7% desde o dia 13 de janeiro, quando a política cambial do Brasil foi alterada. Naquele dia, a arroba do boi gordo era negociada entre R$ 28,00 e R$ 28,50.
Segundo o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carne do Paraná (Sindicarne-PR), Péricles Pessoa Salazar, ontem os frigoríficos já compravam animais para abate com maior facilidade. Os pecuaristas começaram a aumentar suas ofertas, e os frigoríficos já conseguiram programar escalas de abate mais longas para esta semana, disse.
Salazar observou que com a alta de ontem, o preço da arroba do boi gordo chegou ao máximo para período de safra. Ele acredita que agora o mercado normalize seu fluxo de ofertas, inclusive dando espaço para redução nos preços da arroba.
O diretor do Sindicarne informou que a queda na cotação do dólar também deve contribuir para recuou nas cotações do boi gordo. A queda do dólar deixa os pecuaristas menos tenso, reduzindo as especulações e se ajustando às expectativas reais de mercado, disse.
Carne No atacado, segundo Salazar, os preços também acompanharam as altas da cotação do boi gordo ficando entre 15% e 16%. O preço do quilo do traseiro que era cotado a R$ 2,50 no dia 13 de janeiro, ontem era negociado a R$ 2,90. Alguns cortes subiram mais, outros menos, comentou. Ele observou, por exemplo, que cortes mais nobres como a picanha chegaram a subir 20% no mesmo período.
Segundo o proprietário da Casa de Carnes Higienópolis, em Londrina , Dayson Ribeiro Pádua, os preços no atacado subiram 10% desde o dia 13 de janeiro. Mas repassei a alta só hoje (ontem) por até segunda-feira consegui comprar carne com preço velho, disse. Com a alta, o preço do quilo do coxão mole passou de R$ 4,45 para R$ 4,95.
Pádua afirmou que o consumo de carne em seu açougue recuou cerca de 30% desde as mudanças no câmbio. Os consumidores ficaram perdidos com estas mudanças e reduziram as quantidades que costumavam comprar, comentou. O açougueiro observou no entanto, que a queda no consumo também foi provocada pelo período de férias. Com a volta às aulas o movimento deve crescer 20%, calcula.
O proprietário da Casa de Carnes Zezo, José L. Golono, também repassou a alta do atacado para os consumidores. Não tem como segurar a alta, que variou entre 10% e 15%, disse. Golono observou que muitos consumidores reduziram suas compras ou migraram para carnes mais baratas como frango e suíno. Mas estas carnes também devem subir já nos próximos dias para o consumidor, como já aconteceu no atacado, afirmou.


