A falta de chuvas que vem prejudicando o desenvolvimento das pastagens em quase todo o País tem ajudado a pressionar para cima os preços do boi gordo nesse início de ano. De acordo com dados da Scot Consultoria, só no Paraná, o valor médio pago pela arroba fechou janeiro deste ano a R$ 114,14 à vista, R$ 16,35 a mais se comparado ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros 20 dias de fevereiro, o valor pago pela arroba no Estado conseguiu alcançar o patamar de R$ 114,54 à vista, contra R$ 97,82 referente à média registrada em fevereiro de 2013.
Antonio Guimarães de Oliveira, consultor da Scot Consultoria, explica que esses valores são atípicos para esta época do ano. "Faltou chuva principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste. Com isso, os pecuaristas não conseguiram dar conta de terminar os animais nas pastagens, o que resultou na baixa oferta do boi gordo e, consequentemente, no aumento dos preços da arroba", explica Oliveira. Além da falta de pastagem, o consultor completa que o abate de matrizes realizado nos anos de 2011 e 2012 também contribui para esta atual baixa oferta de animais.
Ele completa que os produtores estão sem pasto para engordar os bois. Devido à baixa oferta, Oliveira completa que muitos frigoríficos estão trabalhando em escalas porque não possuem matéria-prima. Para o consultor, esta é uma situação totalmente adversa. Oliveira observa – ainda - que os preços da arroba deveriam ter "esfriado" em dezembro, o que não ocorreu. "Não esperávamos essa falta de chuva", lamenta o especialista.
Quando os confinamentos de inverno terminaram, período que vai de setembro a outubro, Oliveira lembra que os produtores estavam esperando as chuvas para os pastos se recuperarem, o que não ocorreu. Mesmo com a volta das chuvas neste final de mês em algumas regiões do Brasil, o quadro atual do setor não deverá alterar muito, isso porque o processo de recuperação do pasto demora.
Além do produtor, quem também está sofrendo com as intempéries é o consumidor. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), apontam que só o valor do quilo do coxão mole no Paraná, por exemplo, subiu R$ 1,17 na comparação de janeiro de 2013 com janeiro de 2014, fechando este último período a R$ 18,24 o quilo.

Exemplo
Criador na região de Umuarama, José Carlos Urias reclama que sofreu muito com a falta de chuvas neste verão. Ele conta que só não registrou queda na produção devido ao trabalho de recuperação de pasto que realiza na propriedade. "Com o manejo adequado conseguimos manter as pastagens", destaca o produtor.
O pecuarista avalia que o uso da tecnologia é fundamental para quem quer obter sucesso na atividade. Além da recuperação de pastagens, Urias adota em sua propriedade o sistema de semi-confinamento. Ao todo, o criador possui no Paraná em torno de mil animais.

Imagem ilustrativa da imagem Preço do boi gordo é atípico no Paraná
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