Preço do boi gordo atinge patamar histórico no País
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A oferta restrita de bovinos de corte registrada no País fez com que o preço da arroba do boi contabilizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) alcançasse a maior alta já registrada pela entidade desde quando iniciou a cotação de preços em 1994. Na última terça-feira, dia 21, a arroba chegou a R$ 135,20. O último recorde de preços registrado pela entidade foi em 2010, quando a arroba atingiu o patamar de R$ 134,94.
A pesquisa do Cepea foi realizada com base nos valores obtidos no estado de São Paulo. Porém, os números valem para todo o País. Pesquisadores da entidade apontam que o aumento de preço se deve à baixa oferta, ocorrida principalmente pela seca que atinge a região Centro-Sul do Brasil. Sérgio Be Zen, pesquisador do Cepea, afirma que a estiagem prejudicou as pastagens, reduzindo o ritmo de engorda dos animais. Ao todo, o Centro-Sul representa 50% da produção nacional de carne bovina.
"O setor está vivendo um momento interessante, já que estamos sofrendo com um choque de oferta", observa Zen. O pesquisador afirma que a alta nos preços da arroba tem ajudado na recuperação do poder aquisitivo dos produtores. O especialista do Cepea lembra que no ano passado os custos de produção subiram mais do que o valor de venda. "Este é o momento do produtor se recuperar", completa. Segundo Zen, o preço da arroba do boi deve se manter em patamares elevados até que haja um aumento na oferta de animais.
No Paraná, a arroba do boi segue essa mesma tendência de alta. Fábio Mezzadri, médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que de janeiro a setembro deste ano o valor da arroba no Estado subiu 12,18%. O ano começou com a arroba do boi sendo comercializada a R$ 112,03. Em setembro, o valor saltou para R$ 125,68. Mezzadri explica que em 2014 houve muito abate de matrizes e ainda o Paraná foi liberado para exportar para a Rússia, o que reduziu ainda mais a oferta de carne no mercado interno. "O preço chegou a um patamar tão alto que não deve subir muito daqui para frente", completa Mezzadri.
CONSUMO
Para o consumidor, o cenário não é tão bom, já que a baixa oferta tem elevado os preços dos cortes. O quilo do colchão mole, por exemplo, fechou em janeiro em R$ 17,47 o quilo. Em setembro, o valor do corte saltou para R$ 19,46/kg. Porém, o preço da carne no varejo não tem acompanhado a alta no valor do boi gordo.
Maisa Módulo, consultora da Scot Consultoria, explica que os frigoríficos não estão conseguindo repassar de forma plena ao consumidor essa alta no valor boi gordo. Segundo ela, o consumo de carne bovina está fraco, o que impossibilita o reajuste de preços.
ATIVIDADE
Maisa explica que desde o ano passado os preços da arroba do boi têm se reajustado. Por isso, de acordo com a consultora, este é o momento do pecuarista fomentar a atividade. Para a consultora da Scot, o produtor deve aproveitar para investir na adubação ou reforma total das pastagens. "Antes os produtores deixavam esses investimentos de lado", completa.
Questionada pela FOLHA se há a possibilidade de falta de animais no mercado, Maisa descartou totalmente a hipótese. Segundo ela, mesmo se aumentar as exportações, não haverá falta de carne. De acordo com dados do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne-PR), o Estado chegou a produzir no ano passado 234,43 mil toneladas de carne. Segundo dados do Deral, o Estado exporta entre 15% e 20% da produção.



