Preço do boi gera impasse em São Paulo
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quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Kelly Lima Agência Estado 
Ao contrário do que acontece no Paraná e Mato Grsso do Sul, onde as ofertas de boi gordo para o abate são normais, no Estado de São Paulo frigoríficos e pecuaristas ainda discutem um denominador comum para o preço. Pelo menos 2.500 animais deixarão de ser abatidos essa semana na região de Ribeirão Preto , por causa do impasse sobre o preço do boi gordo entre pecuaristas e frigoríficos.
A estimativa é do presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados de Ribeirão Preto e região, Paulo Eduardo Cândido. Segundo ele, os 350 frigoríficos da região estão aguardando que no início do mês o consumo no mercado varejista aumente e os preços exigidos pelos pecuaristas, os mais altos no ano, fiquem equilibrados com este aumento na procura.
Ontem, o preço da arroba do boi gordo atingiu R$ 28,50, e os pecuaristas querem elevar ainda mais este preço para até R$ 29,50. Frigoríficos pretendem reduzir o valor para R$ 27,50.
Há três anos, o consumo de carne vermelha vem caindo, seja cedendo espaço para o frango e para a carne suína, que estão mais baratos desde a implantação do Plano Real, seja por medidas mais saudáveis adotadas pela população, afirmou o presidente do sindicato, que estima uma queda de até 30% nas vendas nos últimos três anos.
O mercado consumidor não conseguiu se recuperar de uma alta de 7,5% no preço da carne somente entre maio e agosto, quando o preço saltou de R$ 26,50 para R$ 28,50. Não existe inflação que justifique esse preço.


