Londrina - Às vésperas do início da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, que prevê realizar bons negócios nos leilões de gado, o mercado de boi gordo não está animando muito o pecuarista: os preços estão abaixo do esperado, mesmo no período da safra, enquanto o preço do bezerro, no mercado de reposição, tem aumentado muito, diminuindo a relação de troca. Antes, com o resultado da venda de um animal terminado, com 18 arrobas, era possível comprar 2,6 bezerros, em média. Atualmente, a relação baixou para dois bezerros. ‘‘Na prática, o produtor perde o equivalente a quatro arrobas no momento da reposição’’, calcula o pecuarista londrinense José Cardoso Neto, acrescentando que, na média, a arroba da carne está em R$ 40,00 frente aos R$ 370,00 do custo do bezerro.
Segundo Cardoso Neto, a pecuária no Sul do País vive uma situação diferente da similar na região Norte, onde a atividade ainda é desenvolvida por profissionais do setor, o que mantém o preço no bezerro nos níveis históricos. ‘‘Lá a reposição ainda é à base de 2,6 bezerros por um boi gordo.’’ O pecuarista diz que ‘‘aqui, o mercado de reposição está inflacionado, porque muita gente que não era do ramo, como profissionais liberais, entrou para o setor’’.
O produtor Euclides José Formighieri, de Cascavel, no oeste do Paraná, concorda com o raciocínio de Cardoso Neto. Mas vai além, ao dizer que o setor também foi tomado por quem vivia da especulação financeira, quando os juros eram altos. ‘‘Esse pessoal resolveu investir em outros segmentos da economia, incluindo a pecuária’’, afirma. Também o abate indiscriminado de matrizes, no momento em que os preços estavam baixos, contribuiu para reduzir a oferta de bezerros e, em consequência, elevar os seus preços acima dos ganhos da carne. ‘‘Hoje quem ganha mais dinheiro é quem trabalha com reposição, em prejuízo do invernista, que teve o lucro reduzido’’, diz Formighieri.
O cenário do mercado de reposição, no entanto, não é tão negro como pode parecer, na análise de Cardoso Neto, que lembra que antes era possível repor o equivalente a 2,6 bezerros com, no máximo, 180 quilos por boi de 18 arrobas. Os animais atuais chegam a pesar 250 quilos. ‘‘Então, se há perda em número de unidades, ganha-se em peso e, por extensão, em precocidade e qualidade’’, diz o pecuarista. É isso que mantém esse mercado em alta, porque sempre haverá procura, afirma.

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