Preço do boi cai, mas varejo não repassa
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Nos últimos cinco meses, o preço da arroba do boi, no Paraná, teve queda de quase 15% de R$ 88,00 para R$ 75,00, entre 15 de setembro do ano passado e o último dia 12. No atacado, os preços também caíram nesse período. Nos supermercados, no entanto, o movimento teria sido inverso. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), divulgado ontem, que tomou por base preços praticados em Maringá, o consumidor, além de não se beneficiar da redução, vem pagando mais caro por alguns cortes de carne.
A pesquisa da Abrafrigo aponta que, nos frigoríficos, os preços dos dois cortes mais consumidos coxão mole e patinho tiveram reduções de 2,6% e 13,15%, respectivamente. O quilo do coxão mole baixou de R$ 7,70 para R$ 7,50. Já o quilo do patinho caiu de R$ 7,60 para R$ 6,60. Nos supermercados, que respondem por 70% da venda de carnes no varejo, o coxão mole subiu 9,7% (de R$ 13,63 para R$ 14,96 o quilo) e o patinho aumentou 11,2% (de R$ 12,94 para R$ 14,39), revela o levantamento.
Para o presidente da Abrafrigo, Péricles Salazar, o problema é que o varejo tem mantido suas margens de lucro muito elevadas na faixa de 100% a 120%. Se colocassem 50% de margem, venderia muito mais, a mercadoria giraria mais rápido, toda a cadeia sairia ganhando, inclusive, o consumidor, ponderou. Segundo ele, o comportamento do varejo é semelhante em todo o País. O varejo faz promoção de um tipo de corte de carne e mantêm os outros em preços elevados.
Segundo dados levantados pela Abrafrigo, a margem de lucro do varejo na venda do coxão mole era de 77%, em 15 de setembro passado, e passou para 99%, no último dia 12. No patinho, a margem se elevou de 70% para 121%, no mesmo período.
No caso de cortes mais nobres como filé mignon e contrafilé o excesso de oferta por causa do recuo nas exportações para a União Européia, provocou queda no preço para o mercado interno. Mas, mesmo assim, segundo Salazar, o varejo manteve margens de 100%. Nos frigoríficos, o quilo do mignon caiu para R$ 10,00, R$ 11,00 e o contrafilé para R$ 18,00 ou R$ 19,00.
Salazar reconhece que o preço do boi continua alto. Antes dos reflexos negativos da aftosa no País, em 2005, a arroba era vendida por R$ 55,00. Com a redução dos plantéis, foi para próximo de R$ 90,00 e, agora, com a retração nas exportações, caiu para valores em torno de R$ 75,00 e R$ 77,00. Esperamos que o preço continue bom para o produtor para ele se sentir estimulado a produzir mais para nós, frigoríficos. Mas, é preciso que os demais elos da cadeia tenham ação articulada, reforçou.
Apras rebate
A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) contestou, em nota oficial, as informações passadas pela Abrafrigo, assegurando que o varejo de alimentos tem repassado os valores na íntegra para os consumidores. Prova disso, seria o preço do mignon que, nas últimas semanas, era vendido por R$ 12,97.
Ainda de acordo com a Apras, duas grandes redes de supermercados, em Curitiba, pagaram, em setembro do ano passado, R$ 8,45 pelo quilo do coxão mole, valor que subiu 6,4%, passando para R$ 8,99, este mês. No caso do patinho, os supermercados registraram queda de - 8,1%, agora, em relação a setembro de 2008, e repassaram para o consumir essa redução, garante a Apras.


