Preço do barril interessa mais do que data da capitalização
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sábado, 21 de agosto de 2010
Luciana Xavier<br> Agência Estado 
Nova York - Um eventual adiamento do processo de capitalização da Petrobras não deve reduzir o apetite do investidor estrangeiro na operação, avaliam analistas dos Estados Unidos e Canadá ouvidos pela reportagem. Mais do que quando será feita a operação, o que importa ao investidor é quanto sairá o preço do barril de petróleo na cessão onerosa pela União à estatal. Se o preço for avaliado como baixo, o investidor manterá o interesse na oferta.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dividido sobre a conveniência de manter a data da capitalização da Petrobras até 30 de setembro e avalia adiar o processo para depois das eleições, em 3 de outubro. O governo tem até 31 de agosto para decidir sobre o valor das reservas.
''Mais importante do que qualquer outra coisa é o preço do barril. O investidor sempre tem apetite contanto que o preço lhe convenha'', analisou Annette Hester, associada do Center for Strategic and International Studies (CSIS), que fica em Washington. Christopher Garman, diretor para América Latina do Eurasia Group, concorda. ''Para o investidor não importa se a oferta será em setembro ou outubro e sim o preço.''
Foi justamente por conta das especulações em torno do preço do barril que começou-se a cogitar o adiamento da capitalização para depois das eleições. ''A ação da Petrobras tem sofrido porque estão vazando notícias de que o governo quer que o barril fique de US$ 10 a US$ 12, valor considerado elevado pelo mercado. O fato é que há muita pressão política. É um jogo político onde o governo quer puxar o preço para cima e a Petrobras, para baixo'', explicou Garman.
''Os interesses da Petrobras e do governo não são coincidentes'', avaliou Hester. ''Está tudo muito complicado, muito confuso, pois há muitos interesses políticos. Enquanto estiver assim, as ações da Petrobras devem continuar caindo'', acrescentou. Segundo ela, para o presidente Lula seria melhor que a oferta fosse feita em setembro, como está marcado. ''Para Lula, seria interessante conseguir o maior preço do barril agora.''
De acordo com a especialista, a diferença de preços estimados para o barril por analistas e consultorias tem se mostrado grande demais, o que torna muito difícil avaliar qual seria realmente o preço justo. Conforme apurou a reportagem, a consultoria Gaffney Cline Associates (GCA), contratada pela ANP, chegou ao valor de US$ 10 a US$ 12 por barril. A Petrobras, por sua vez, teria uma avaliação entre US$ 6 e US$ 8 por barril, enquanto o mercado previa um intervalo de US$ 5 a US$ 6 por barril.
Garman explica que é realmente muito difícil estimar qual seria o preço justo, porque não existem referências anteriores para se fazer comparação. ''Não há províncias de petróleo onde se faça exploração nessa profundidade (referindo-se ao pré-sal). Há muitas incertezas sobre as premissas de custo'', disse ele.
Garman avalia que, a menos que o processo de capitalização fosse postergado por muito tempo, como para meados de 2011, por exemplo, o apetite do investidor pelas ações não deve mudar. Mas alerta que um eventual adiamento mantém mais um pouco na geladeira os planos de outras empresas que pretendem lançar ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no Brasil e apenas aguardam a estatal sair na frente. ''Tem muito IPO esperando pela Petrobrás e as incertezas seguram um pouco todo o mercado.''
Os dois analistas também não acreditam que um adiamento aumente o risco de downgrade do rating da Petrobras. A Standard & Poor's disse na semana passada a agências internacionais que mesmo se houver adiamento da oferta pública, um rebaixamento da nota da estatal ''é improvável''.


