Paris - Numa tentativa de reduzir os temores e as duras críticas ao aumento do preço do petróleo, Ali Al-Nuimi, ministro do Petróleo da Arábia Saudita, maior produtor mundial, anunciou um aumento inesperado da produção do cartel. O preço do produto caiu quase um dólar ontem.
''O reino considera essencial aumentar os limites de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), para manter o equilíbrio entre oferta e demanda (...) Achamos que este aumento deveria ser de 1,5 milhão de barris por dia'', disse o ministro saudita do Petróleo, em um comunicado.
As palavras de Al-Nuimi vão de encontro às afirmações da maioria dos representantes da Opep nas últimas semanas. ''Parece que a demanda, principalmente na Ásia, aumentou e vai continuar aumentando no segundo semestre'', disse o ministro.
Desta forma, a Opep reconhece, implicitamente, que as previsões de redução da demanda que a levaram a estabelecer em 23,5 milhões de barris por dia (mbd) sua produção, em 1º de abril, não aconteceram, e sim o contrário.
Sob a pressão de vários fatores, os preços do bruto ultrapassaram na última sexta-feira a barreira simbólica dos 40 dólares por barril em Nova York, antes de despencarem, após as declarações do ministro saudita. Para Adam Sieminski, analista do Deutsche Bank em Londres, as palavras sauditas respondem a duas preocupações: reduzir as críticas à Opep e manter o crescimento econômico e, portanto, a futura receita dos Estados petroleiros.
O impacto das declarações do ministro continua sendo mais psicológico do que real. A partir de agora, a questão é tornar visível aos olhos do mercado este excedente de produção e não produzir mais, destacam os analistas.
O preço do barril de petróleo baixou um dólar ontem no mercado de futuros de Nova York, após as declarações sauditas em favor de um aumento da produção da Opep em junho, que tranquilizaram o mercado.

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