O Banestado deverá ir a leilão no dia 17 de outubro com valor mínimo de R$ 434 milhões, conforme sugestão apresentada ontem pelos advisors (empresas que fizeram a avaliação do banco para a privatização). O valor é 12 vezes menor do que os R$ 5,4 bilhões investidos no saneamento. A proposta do preço foi apresentada ao governador Jaime Lerner, ontem, em reunião a portas fechadas no gabinete do governo na Copel, conhecido nos meios políticos como Chapéu Pensador. Lerner recebeu duas propostas de preço e optou pela maior, segundo informações de secretários que participaram do encontro.
A reunião durou pouco menos de uma hora, mas foi tempo suficiente para que os ponteiros fossem acertados na privatização do banco. O preço mínimo da instituição financeira foi um dos assuntos que gerou mais discussão, pois o banco será leiloado com valor inicial perto de seu patrimônio líquido (PL), que foi fixado em R$ 473 milhões segundo a publicação do balanço relativo ao exercício de 1999.
Na saída da reunião, silêncio total. Nenhum secretário quis revelar detalhes da reunião. ‘‘Falamos sobre prazos de privatização e a participação dos funcionários. Mas quem fala sobre o banco é a diretoria do Banestado’’, despistou o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra. Reinhold Stephanes, presidente do banco, disse que não falaria sobre o assunto.
Vender o banco pelo valor de seu Patrimônio Líquido, no entanto, não causa surpresa no meio financeiro, mas revolta a oposição ao governador, que lembra a todo o momento que o governo do Estado contraiu uma dívida de R$ 5,4 bilhões para cobrir o rombo nas contas do Banestado. Esse dinheiro terá que ser pago à União em 30 anos, com juros de 6% ao ano.
Mas o próprio presidente do Banestado já havia declarado à Folha, em entrevistas passadas, que o preço mínimo poderia se aproximar do patrimônio líquido. Otimistas deputados da bancada aliada ao governo, diziam ontem na Assembléia Legislativa que o ágio do banco pode resultar num valor de venda de até R$ 800 milhões.
O que é certo mesmo, por enquanto, são os valores que irão ao edital a ser publicado no dia 30 deste mês. ‘‘Vamos ficar com a maior avaliação do Banestado’’, orientou o governador a Reinhold Stephanes e ao secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que deixaram de lado antigas divergências para defender uma mesma data de venda. Lerner cobrou dos dois e pediu aos secretários Alceni Guerra (Casa Civil) e Cid Campelo (Governo), que acompanhavam a reunião, maior integração para que se possa cumprir o apertado cronograma de privatização.
O governador quer evitar que ocorra no Banestado o que acontece com o Banespa, onde uma enxurrada de liminares judiciais faz com que a venda seja adiada sucessivamente há quase dois anos.

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