Preço do algodão acompanha o dólar
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de janeiro de 1999
Guto Rocha 
O mercado de algodão, produto do qual o País depende de importações, registrou alta ontem com o anúncio da liberação do mercado de câmbio. Segundo um corretor de algodão de São Paulo que não quis se identificar, a tendência é de que as indústrias têxteis se voltem mais para o mercado interno. Mas o mercado ficou totalmente paralisado ontem. Mas o mercado ficou totalmente paralisado ontem.
Com o câmbio livre, a libra-peso do algodão em pluma posto fábrica, segundo o corretor, foi cotada a US$ 0,60 na Argentina para entrega em abril e maio, ficando entre R$ 0,90 e R$ 0,95, contra os R$ 0,85/libra-peso do dia anterior. A Argentina terá dificuldades para voltar a vender ao Brasil, a não ser que eles reduzam os preços ou também mexam na política cambial, comentou o corretor.
Segundo o corretor, o Brasil deverá importar este ano cerca de 250 mil toneladas de algodão em pluma. A produção brasileira esta estimada entre 380 mil e 400 mil toneladas, para um consumo de 650 mil toneladas de algodão em pluma.
O corretor explica que o grosso das importações são feitas antecipadamente, e que neste caso os preços já sofreram as alterações em decorrência da desvalorização do real frente ao dólar. No caso das compras futuras, os preços são definidos no dia do recebimento, através do índice calculado pela Esalq-USP.
Apesar da reação de ontem, o corretor afirmou que a tendência é de que as cotações recuem com a entrada da safra nacional, que deve acontecer em março. No entanto, o corretor acredita que os preços da pluma deve ficar acima do preço mínimo estipulado pelo governo de R$ 0,74/libra-peso. Com isso, o governo não deverá acionar os leilões de PEP para escoar a produção como fez na safra passada, observou.


