Preço do álcool sobe mais de 30%
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sexta-feira, 01 de novembro de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
O aumento no preço do álcool combustível começou a chegar ao consumidor londrinense ontem. Vários postos vendiam o produto entre R$ 1,27 e R$ 1,28, entre 31% e 32% mais caro em relação ao preço praticado anteontem (R$ 0,97 e R$ 0,98). Há vários dias, os revendedores vinham reclamando que a cada compra o álcool era entregue pelas distribuidoras a um preço diferente. Na carona do álcool, a gasolina também aumentou, passando de R$ 1,77 a R$ 1,85 em vários estabelecimentos.
Este aumento da gasolina é decorrente da adição de álcool anidro em sua composição. Não tem nada a ver com o aumento anunciado pela Petrobras e que entrará em vigor a partir de segunda-feira, embora ontem havia rumores de que alguns estabelecimentos pudessem antecipar o reajuste para garantir a manutenção de seu estoque. Luiz Bolognese, dono de posto, informou que a hipótese era possível. ''Nós soubemos do aumento junto com o consumidor e não tivemos tempo de fazer um estoque maior prevendo o aumento da demanda. Ou os postos já vendem mais caro no final de semana, ou correm o risco de ficar com os tanques vazios em função da grande procura'', disse. Com os 9% anunciados, a gasolina chegará ao consumidor a mais de R$ 2,00 o litro.
Com relação ao álcool, a justificativa para o forte reajuste é o valor praticado pelas usinas, que estariam aumentando o preço com frequência, na medida que se aproxima o fim da safra de cana-de-açúcar. O diretor do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis (Sindicombustíveis) em Londrina, Valter Sasso, cobra do governo federal uma redução da quantidade de álcool anidro misturado à gasolina, hoje na proporção de até 26%, para que sobre matéria-prima para a produção do álcool hidratado.
''Estamos passando por uma situação semelhante a de 1992, quando o preço do açúcar no mercado externo era mais atraente e a produção do álcool foi reduzida, detonando com o Proálcool'', apontou. Segundo informações de Sasso, para que o usineiro tivesse no álcool a mesma rentabilidade que têm atualmente no açúcar, deveriam vender o produto a R$ 1,00 o litro, qyue chegaria na bomba a R$ 1,50.
No posto de Sasso, o álcool passou custar, ontem, R$ 1,27. Postos que ainda não tinham mexido nos preços aguardavam apenas a reação dos estabelecimentos vizinhos. Emílio Santaella, dono de um bandeira branca na avenida Maringá, dizia que iria aguardar os preços dos postos da região subir para também aumentar os seus. ''O meu último estoque foi comprado a R$ 0,85 o litro, mas na semana que vem a distribuidora irá aumentar,'' justificou.


