Preço do álcool será 75% da gasolina
Vânia Casado
De Curitiba
O consumidor interessado na compra do carro a álcool, que será lançado esse mês pelas montadoras, deve estar consciente que os preços do combustível está em processo de recuperação. A expectativa é que nos próximos meses fique entre 70% a 75% do preço da gasolina. Esse foi o teto definido pelos usineiros como suficiente para remunerar toda a atividade da cadeia produtiva do álcool, afirmou Paulo Zanetti, diretor executivo da Cepal (Coligação das Entidades de Produção de Álcool e Açúcar).
Este mês o álcool já começou a ser vendido a R$ 0,41 o litro pela Bolsa Brasileira do Álcool (BBA), entidade formada por produtores de álcool, encarregada de comercializar a produção em conjunto. Em Curitiba, alguns postos já reajustaram o preço do combustível na bomba, refletindo a alta que está sendo repassada pelas distribuidoras em 10%. Conforme pesquisa do Sindicombustíveis, o preço do álcool no varejo na maioria dos postos passou de R$ 0,459 o litro para R$ 0,50 o litro em média.
Conforme projeção da Alcoopar, se o preço da gasolina atingir US$ 1 o litro até agosto de 2.000 como está sendo ventilado no mercado, o preço do álcool deverá custar US$ 0,50 na bomba. Mesmo assim os preços ainda continuam convidativos e Zanetti acredita que muitos consumidores irão optar pelo carro a álcool. Ele garante que dessa vez o setor produtivo está se reorganizando para garantir o abastecimento do combustível no mercado. Com a formação da empresa BrasilÁlcool, também constituída pelas usinas do Centro-Sul, que têm um estoque superior a 1 bilhão de litros, os produtores estão estruturando uma logística de distribuição para garantir o abastecimento e evitar a falta do produto.
Para Zanetti, a recuperação dos preços do álcool é reflexo da organização do setor após o caos que se encontrava com a liberação total dos preços do produto ocorrida em 1997. Segundo ele, o produtor perdeu o foco de que o concorrente não é a usina vizinha no livre mercado. Com esse erro de visão, as usinas fizeram concorrência entre si e ofertaram um excesso de produção, que fizeram a festa das distribuidoras de combustível. Com poder de fogo as grandes distribuidoras, cerca de 7 no pais, pressionaram os preços para baixo e o resultado foi a venda de álcool até por R$ 0,14 o litro, enquanto o custo de produção é de R$ 0,36 o litro, explicou o empresário.
Segundo Zanetti, nesse período de confusão no mercado que durou entre maior de 98 a junho de 99, houve uma transferência de cerca de R$ 4 bilhões do setor produtivo para as distribuidoras, que passaram a ter margens de comercialização muito acima de 100%. As distribuidoras não repassaram os preços baixos do álcool para a bomba, salientou.
Paulo Zanetti destacou ainda que o preço da gasolina só não é maior na bomba porque está sendo subsidiada pelo álcool. À medida que a legislação permite a mistura de 24% de álcool anidro à gasolina, o preço da gasolina se dilui. Não fosse isso, seria impraticável o combustível ser vendido na bomba em média por R$ 1,19 como está em Curitiba, sendo que esse é o preço de venda da Petrobrás Distribuidora na Refinaria, afirmou.





