O presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Anísio Tomena, disse que o reajuste no preço do litro do álcool nas bombas é muito difícil de entender, já que os valores repassados pelos produtores às distribuidoras sofreram uma redução nas últimas semanas e passou, em média, de R$ 0,88 para R$ 0,79, o litro. ‘‘Isso sem contabilizar o desconto do ICMS’’, lamentou Tomena.
  Ele observou que os produtores estão tentando fazer os preços subirem um pouco, mas sem sucesso, e não há nenhuma previsão do mercado se normalizar nas próximas semanas. A crise financeira mundial, apontou o presidente da Alcopar, tem contribuído um pouco para essa queda. O primeiro reflexo foi na exportação, que já não estava boa, e também na redução de crédito. ‘‘Sem recursos para capital de giro ou investimentos, os produtores acabam vendendo o produto mais barato, quase a preço de custo, para conseguir cumprir com alguns pagamentos’’, pontuou.
  A redução do preço para os produtores, reiterou Tomena, nada tem a ver com a produção. Pelo contrário, a previsão para a safra deste ano tem sido alcançada. ‘‘Vai haver até um excedente de cana’’, adiantou. Até meados de dezembro, quando começa o período de entressafra, perto de 45 milhões de toneladas de cana-de-açúcar deverão ser moídas. Outros 10 milhões de toneladas vão ficar sem moer e devem ser estocadas para quando as usinas voltarem a produzir, em março de 2009.
  Além disso, Tomena adiantou que a próxima safra começa a ‘‘toda prova’’, não só por conta da sobra de cana, mas porque apenas sete usinas no Centro-Sul, das 32 que tinham previsão de iniciarem as operações este ano, entraram em atividades. ‘‘Então, a entressafra será curta. As outras usinas devem começar a produzir já em março’’, disse ele, lembrando que a sobra de cana não aconteceu somente no Paraná. A previsão é que este ano o Estado produza 2,2 bilhões de litros de álcool e 2,8 milhões de toneladas de açúcar.

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