Preço do álcool abaixa só em maio
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quarta-feira, 01 de março de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Os preços do álcool hidratado só devem começar a cair nas bombas dos postos de combustíveis a partir de maio, quando tem início a safra da cana-de-açúcar. A informação é do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues. Ele esteve ontem em São Tomé (117 km a nordeste de Umuarama) onde participou da solenidade de abertura da safra de cana da Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar). Segundo o ministro, a redução da mistura de álcool de 25% para 20% na gasolina e a liberação das importações de álcool combustível foram medidas emergenciais tomadas pelo governo para tentar conter o avanço dos preços.
A redução do porcentual trará resultados somente a longo prazo. O ministro explicou que a medida trará uma economia de até 120 milhões de litros de álcool por mês, o que representa 10% do consumo mensal. ''Em dez meses teremos estoques suficientes para mais um mês, o que representa que teremos uma flutuação menor de preços no mínimo por mais um mês'', disse.
No mês passado, o governo federal firmou um acordo com os usineiros de São Paulo para estabelecer preço da venda a R$ 1,05, o que não foi cumprido. Segundo Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), o acordo não foi cumprido devido às leis de mercado, uma vez que os compradores continuaram a oferecer preços maiores aos estabelecidos aos usineiros. Atualmente, o preço do álcool nas usinas varia de R$ 1,15 a R$ 1,20. De olho nos bons preços atuais, cerca de 10% das usinas estabelecidas na Região Centro-Sul irão antecipar a safra de cana-de-açúcar para até o final do mês. Tradicionalmente, a colheita tem início em abril.
Há três anos, a Cocamar vem programando para março a antecipação da safra, com plantio precoce e até utilizando outras variedades de cana. E mesmo assim a cooperativa perde parte da produtividade da planta. ''O rendimento menor é compensado pelo ganho no preço. O mercado está aquecido e essa regularização também ajuda a não faltar o produto'', afirma Celso Carlos dos Santos Júnior, superintendente comercial e industrial da Cocamar. A Cocamar tem uma área plantada de cana de 12 mil hectares, que irão produzir 72 milhões de litros de álcool. A produção deste ano irá crescer cerca de 22% sobre a do ano passado.
Altos preços - Os preços altos dos combustíveis têm levado muitos agricultores a substituir parte do diesel utilizado nas máquinas agrícolas por óleo de soja refinado, o mesmo utilizado pelas cozinheiras. Desde o final do ano passado, a Cocamar passou a vender o óleo a granel por cerca de R$ 1,40 o litro. O preço do diesel varia entre R$ 1,80 a R$ 1,90. Até agora, já foram comercializados cerca de 20 mil litros. Segundo Santos Júnior, não há parecer técnico sobre o produto, mas a experiência tem mostrado que o rendimento dos motores é semelhante em máquinas abastecidas somente com diesel. ''Não sabemos quais os prejuízos para o motor que podem acarretar no longo prazo'', afirmou.


