Preço do açúcar sobe 22% em um ano
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sexta-feira, 02 de setembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O preço do saco de 5 quilos de açúcar cristal subiu 22,07% nos últimos 12 meses em Londrina. Em agosto de 2004, o preço médio do produto nos supermercados era R$ 3,58; no mês passado, valor estava em R$ 4,37. Se a princípio parece pouco um aumento de R$ 0,79 em um ano, o índice é bem superior ao de outros alimentos. Só para se ter uma idéia, a cesta básica (composta por 12 itens) acumula queda de 17,43% nos últimos 12 meses.
A princípio, esse reajuste parece inexplicável. No atacado, a cotação permanece praticamente estável: de R$ 30,06 em agosto de 2004, o saco de 50 quilos subiu para R$ 30,66 no mês passado, de acordo com os índices da Esalq/USP, acompanhado pela maioria dos comerciantes. Os empacotadores do produto também afirmam que não ficaram com essa diferença de preços. ''No atacado, a concorrência não permite que a gente não repasse as variações de preços. Os reajustes e os recuos são repassados automaticamente'', afirma Sandro Marcus Alves de Oliveira, diretor comercial da Açucaralon.
A explicação encontrada pela Associação Paranaense de Supermercados (Apras) para o aumento é a realização de alguma promoção que forçou a queda dos preços do açúcar no ano passado. ''Na época, pode ter havido algum supermercado que queimou os preços e, aí, todos os outros acompanharam'', justifica Valmor Rovaris, superintendente da Apras. De acordo com a pesquisa que apura o custo da cesta básica em Londrina, há 12 meses o supermercado mais barato vendeu o saco de 5 quilos de açúcar por R$ 2,99 e, o mais caro, a R$ 4,35. Segundo Rovaris, o preço de custo na época era R$ 3,61.
Consumo - No Brasil, cada pessoa consome de 28 a 30 quilos de açúcar por ano. Segundo o Sindicato da Indústria de Açúcar do Estado do Paraná (Siapar), o Estado é auto-suficiente em produção de açúcar. A fabricação é quatro vezes maior do que o consumo estadual. ''Embora o consumo de açúcar esteja crescendo, esse aumento não acompanha o crescimento vegetativo da população'', comenta Adriano da Silva Dias, superintendente do Siapar.
Ele explica que isso ocorre porque as pessoas de maior poder aquisitivo preferem consumir adoçantes porque estão mais preocupadas com a obesidade. ''Quanto mais baixa a renda, maior o consumo de açúcar. É o energético mais barato do mercado'', diz. Em Londrina, a população parece estar dividida quanto ao consumo do açúcar. As mulheres estão mais propensas à utilização de adoçantes.
A comerciante Nair Tomioto diz que prefere utilizar adoçantes, mas o seu uso tem encontrado uma certa resistência por parte do marido e filhos. ''Como tenho um buffet infantil uso muito açúcar para preparar bolos e doces. Por isso, fico de olho nas promoções dos supermercados'', comenta. Em casa, ela tenta adoçar sucos e o café com adoçantes para toda a família.
Já a aposentada Hilda Marçal diz que ''não suporta'' adoçantes. Ela consome quatro quilos de açúcar cristal por mês e outros cinco quilos do refinado. ''Uso bastante, mas tenho percebido que o preço está um pouco mais alto'', avalia.


