O reaquecimento do mercado internacional de açúcar já começa a refletir positivamente nos preços do produto aqui no Brasil. Só na semana passada, de acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), o preço da saca de 50 quilos fechou em R$ 63,47, registrando uma elevação de R$ 1,14 se comparado ao início da mesma semana.
Segundo Disonei Zampieri, pesquisador da área de agroenergia e sucroalcooleira da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) o mercado está em plena recuperação. Isso, afirma o especialista, porque a demanda mundial pelo alimento está crescendo. ''Por esse motivo, é que o preço da commodity está se tornando atrativo para quem exporta'', completa.
A elevação de preços no mês de outubro, aponta Zampieri, traz um certo alívio para as usinas, já que em setembro houve uma forte depreciação do açúcar no mercado interno. Para se ter uma ideia dessa queda, a saca do produto no início do mês era comercializada a R$ 67,46. Com a queda gradual de preços, o valor do açúcar em setembro finalizou em R$ 62,49. Porém, o especialista da Seab salienta que essas oscilações no valor da commodity são comuns. ''O declínio de preços no mês passado foi devido às expectativas de mercado''.
Zampieri afirma que o anúncio dos números de safra da Índia, a qual deverá ter crescimento no atual ciclo, deixou o mercado mais otimista, o que equilibrou os preços do açúcar no cenário internacional. Outro fator que proporcionou a valorização do produto brasileiro, acrescenta Zampieri, foi o aumento da demanda internacional pelo açúcar brasileiro, principalmente pelo aumento das importações chinesas. ''A partir de agora, os preços tenderão a ficar estabilizados'', avalia.
Gargalos
Um dos principais problemas do setor sucroalcooleiro não só no Paraná, mas em todo Brasil, é a falta de matéria-prima. Zampieri aponta que esse gargalo traz um certo desequilíbrio de mercado. Em sua avaliação, é necessário investir mais na qualidade dos canaviais.
''Esses fomentos não estão ligados somente ao aumento de área plantada, mas também ao potencial de produção das lavouras'', completa. De acordo com dados da Alcopar, a área plantada no Paraná nesse ano foi de 650 mil hectares, 64 mil a mais do que na safra passada. Entretanto, o volume de cana moída no Estado passou de 43,32 milhões de toneladas para 42,1.
Em decorrência desse fato, o volume produzido de açúcar no Paraná também deverá ser reduzido. Para a atual safra, é estimada uma produção de 2,09 milhões de toneladas de açúcar, 930 mil a menos do que no ciclo passado. ''Nos últimos anos, a produção e a produtividade de cana-de-açúcar têm caído consideravelmente''. Para resolver esse problema Zampieri afirma que é necessário mais investimentos em renovação e adubação dos canaviais.

Imagem ilustrativa da imagem Preço do açúcar segue em recuperação