Com a produção de açúcar e etanol bem adiantada na região Centro-Sul, principalmente no estado de São Paulo devido à falta de chuvas, a expectativa das usinas é que os preços do açúcar ganhem novo fôlego neste último trimestre. Após uma queda significativa dos valores em setembro no mercado interno (o pior da safra 2014/15) e externo, que é balizado pela bolsa de Nova Iorque, os valores da commodity voltaram a subir nos últimos 20 dias, animando os produtores.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o preço da saca de 50 kg do açúcar cristal saltou de R$ 44,24 para R$ 46,79 entre os dias 22 de setembro e 10 de outubro, alta de 5,7%. Esses valores balizam os negócios na região Centro-Sul. No Paraná, os preços pagos ao produtores, da cana básica, que vigoram desde 25 de setembro são de R$ 50,46 no campo e R$ 56,36 na esteira, leve alta de 0,4% para ambos os casos em comparativo a agosto.
No Estado, até o dia primeiro de outubro foram esmagadas 30,4 milhões de toneladas de cana, contra 29,2 milhões de toneladas no mesmo período da safra 2013/14, alta de 4,1%. A produção de açúcar até o momento é de 2,44 milhões de toneladas, contra 2,79 milhões do mesmo período do ano passado, uma retração de 12,5%. Já a produção de etanol, somando anidro e hidratado, saltou 9,9%, atingindo a marca de 1,11 bilhão de litros.
Até o final da safra, a expectativa da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar) é atingir a marca de 3,03 milhões de toneladas de açúcar e 1,48 bilhão de litros de etanol, números praticamente similares aos do ano passado. Na região Centro-Sul, o volume processado pelas unidades produtoras somou 28,82 milhões de toneladas. Esse volume é o menor já registrado para esta quinzena nas últimas quatro safras.
A pesquisadora do Cepea especialista no mercado açucareiro, Heloisa Lee Burnquist, explica que a boa evolução da safra aumentou a oferta de açúcar, o que acabou gerando uma retraída nos preços em setembro. "Como boa parte das usinas estão endividadas, elas procuraram acelerar a produção para poder quitar as dívidas. Nesse período, os usineiros acabaram aceitando os preços mais baixos impostos pelo mercado", explica a pesquisadora.
De acordo com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), até o momento 10 usinas da região Centro-Sul já encerraram as atividades da safra. Com isso, a expectativa é que a entressafra comece mais cedo, e aí está esperança dos usineiros para uma melhora dos preços do açúcar. "A expectativa é que os usineiros segurem um pouco o produto para cumprir os contratos e aproveitem as oportunidades que surgirem no mercado neste final de ano", salienta Heloisa.
Em relação à demanda, o Cepea não acredita que deve haver pressão neste momento, já que a "economia brasileira não está aquecida". "Talvez, no Natal, pode haver um aumento da demanda, porém os grandes consumidores já fecharam os contratos, o que faz com que não ocorra pressão no mercado spot (à vista)".
Na semana passada, o Cepea divulgou em seu informativo o comparativo entre a remuneração de preços do açúcar frente ao etanol. Segundo o levantamento, o açúcar spot remunerou 17% a mais que o anidro e 30% superior ao hidratado. No que diz respeito às exportações, houve uma reação de mercado quando notícias externas apontaram para uma possível demanda por açúcar na China. "Existe uma grande possibilidade de recuperação de preços para o final desse ano", complementa a pesquisadora.

Imagem ilustrativa da imagem Preço do açúcar se recupera e deve fechar ano aquecido
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