Curitiba A previsão do mercado para o trigo daqui para frente é transformar o produto em artigo bastante valorizado. Uma reunião realizada ontem na Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) entre os órgãos que integram a cadeia produtiva do trigo constatou que o mercado pode ser abalado por uma redução nos estoques tanto mundialmente como nacionalmente. Para o consumidor, essa análise vai doer no bolso, com o pãozinho continuando em alta e pelas massas. Principalmente se o câmbio continuar valorizado.
O analista econômico da Ocepar, Robson Mafioletti, lembra que a solução para evitar a contaminação da elevação dos preços do trigo no Brasil é reduzir a dependência do País do trigo importado. Hoje o trigo é o produto que mais pesa na pauta de importações, depois do petróleo. O Brasil importa todo ano entre 7 a 7,5 milhões de toneladas de trigo, gastando com isso US$ 900 milhões por ano.
Para reduzir essa dependência, os órgãos que representam as cooperativas, produtores e moinhos do Paraná vão apresentar ao Ministério da Agricultura o Plano Plurianual da Cadeia do Trigo, que estabelece metas para a elevação da produção nacional de trigo até 60% da demanda, até 2007. Maffioletti salientou que este ano a escassez na produção de trigo vai afetar principalmente a comercialização. Mas em anos passados, o segmento que mais sofreu com a depreciação nos preços imposta pelas importações foi o da produção. ''Agora chegou o momento da união'', acredita.
Para o ano-safra 2002-2003, os estoques mundiais estão sendo reduzidos em 7 milhões de toneladas em função da retração na produção dos cinco países que mais produzem no mundo. Em compensação o consumo mundial aumentou em 7,3 milhões de toneladas, o que corresponde a uma redução de 14,3 milhões de toneladas nos estoques mundiais.
Com essa conjuntura, moinhos e cooperativas já prevêem que as importações vão exigir mais recursos, principalmente se o câmbio continuar valorizado. Como consequência, a produção nacional também se valoriza, afirma Mafioletti. Em período de início de colheita, como o atual, o trigo nacional está cotado a R$ 450,00 a tonelada, acima do preço mínimo fixado que é de R$ 285,00 a tonelada. ''Em anos anteriores, já era um custo o mercado praticar o preço mínimo em período de safra'', lembra o técnico.

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