Após a cotação do trigo bater recordes nos mercados interno e externo, o preço deve estabilizar ou entrar em viés de leve baixa. ''Mesmo com a safra nacional e com a entrada das produções argentina e gaúcha a cotação não vai cair forte porque a cotação está muito alta na Bolsa de Chicago (EUA). Mas não há espaço para o preço subir muito'', informa Elcio Bento, analista de mercado de trigo da Agência Safras e Mercados. No entanto, a estimativa é que o cenário do grão permaneça positivo até a entrada da safra americana no mercado, o que deve ocorrer em maio.
Segundo ele, os moinhos estão segurando as compras do grão por problemas de logística. ''O transporte do trigo está concorrendo com o escoamento da safra de milho para o Porto de Paranaguá e com a saída do açúcar para o Porto de Santos. Os moinhos não estão conseguindo transporte e, por isso, não estão comprando mais'', afirma. Ele lembra que o grão atingiu picos de comercialização por R$ 650 a tonelada e que, atualmente, a cotação tem ficado entre R$ 620 e R$ 630. ''Os vendedores estão pedindo R$ 660 a tonelada e como não há compradores o mercado travou. A alta de preços estancou'', analisa.
Apesar de o Brasil ser dependente do trigo internacional, no Rio Grande do Sul ocorreu um fato inédito. Cerca de 150 mil toneladas do grão já foram comercializados com o Norte da África para entrega em dezembro. Apesar de não ser um volume expressivo, é a primeira vez que o País exporta trigo para o consumo humano.
O analista de mercado da Corretora Gradual, Carlos Boszcovski, informa que ontem as cotações do trigo, do milho e da soja registraram limite de baixa na Bolsa de Chicago. A queda foi provocada por fatores como aumento de preços das commodities americanas puxado pelo dólar mais firme, queda do preço dos óleos vegetais, petróleo e previsão de chuvas na Argentina, Austrália e nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil. Outro fator foi uma estimativa de aumento da safra americana, divulgada por uma empresa independente. (F.M.)

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