O preço de referência a ser estipulado pelo governo para financiamento do café será de R$ 150,00/saca, segundo fontes consultadas pela Agência Estado. Os técnicos do governo que fazem parte do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) estiveram reunidos ontem durante todo o dia para discutir o assunto e não houve qualquer manifestação oficial. O rumor que circula no mercado é de que o preço de referência será apenas para o mercado interno e tem como objetivo elevar o valor dos financiamentos obtidos pelos cafeicultores para segurar a safra.
Segundo explicação de uma fonte do setor privado, como o financiamento tem por base 70% do preço de mercado, a cotação atual de R$ 120,00/saca representa para o produtor crédito de US$ 84,00/saca. As oscilações diárias das cotações no mercado também dificultam o fechamento dos contratos junto aos agentes financeiros.
Produtor recebe R$ 105 Com o preço de referência a R$ 150,00/saca, além de facilitar a burocracia bancária, o produtor receberá R$ 105,00/saca no financiamento. A informação não é confirmada pelo Departamento Nacional do Café (Denac), que deverá enviar a medida para votação por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN) na reunião de hoje.
O CMN deve votar também a transformação dos financiamentos de custeio, que vencem em outubro, em financiamento de pré-comercialização, o que representará mais R$ 300 milhões para a cafeicultura. Este ano, o governo já liberou R$ 300 milhões para colheita e outros R$ 250 milhões para pré-comercialização.
Mercado A preocupação do mercado é com a possibilidade de
o preço de referência ser utilizado também nas exportações. Na opinião do corretor Eduardo Carvalhaes Jr., do Escritório Carvalhaes, de Santos, se o valor de referência for utilizado apenas para efeito de financiamento a medida é boa, pois facilitará a burocracia bancária.
‘‘Se for usada como lastro para exportação será muito ruim, porque está na hora de o Brasil exportar. Temos que exportar o máximo possível, pois o país precisa de divisas’’. Carvalhaes Jr. considera o financiamento para a cafeicultura necessário, uma vez que ao contrário das lavouras anuais, no café um produtor que desiste da atividade acaba não voltando.
Setores de comercialização da praça de Santos comentavam ontem que faltou uma ‘‘melhor gestão’’ dos representantes da produção nas negociações com o governo. O patamar de referência poderia ser mais alto para dar sustentação de preços após balanço final da produção, em que normalmente prevalecem números exageradamente positivos que automaticamente pressionam os preços para baixo. Além disso, está terminando o período de inverno com o fim definitivo de geadas, uma variável ‘‘prol-preços’’, afirmam.
Para o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Luiz Hafers, o preço de referência uma boa iniciativa. Na opinião de Hafers, o problema da cafeicultura é a regulagem do fluxo da safra, pois a colheita é feita em 100 dias e a comercialização em 360 dias. ‘‘Existe pressão de venda e transferência de renda por parte de quem carrega o estoque’’.
Hafers acha que a prorrogação do custeio é uma medida necessária, pois em outubro, com o fim da colheita, há concentração na oferta de café. Hafers discorda de qualquer medida visando a retenção de café por parte do governo, pois apenas favorece os países da América Central.

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