A Associação Norte Paranaense de Horticultores contabilizava, ontem, as perdas no setor nos cerca de 50 municípios abrangidos pela entidade, responsáveis por 30% da produção de verduras e legumes do Estado. O presidente da Associação, João do Prado Souza Neto, adiantou que praticamente toda a cultura de campo, aproximadamente 95% da produção da região, foi perdida pelas geadas dos últimos dias.
Na Central de Abastecimento do Paraná, em Londrina, o número de horticultores que comercializavam produtos ontem de manhã já tinha caído pela metade, segundo João Neto. ‘‘A média, para uma terça-feira, é de 280 produtores. Hoje (ontem) tinha uns 150 e a maioria deles fazendo a última viagem’’, disse. ‘‘No sábado, vamos saber o que sobrou e como ficarão os preços’’.
A expectativa não é, necessariamente, de novas altas. João Neto admite que, num primeiro momento, após fênomenos como o frio intenso dos últimos dias, possa haver especulação. Ele esclarece, no entanto, que o mercado de hortifrutis funciona como uma Bolsa de Valores. ‘‘O que manda é a lei da oferta e da procura. Hoje, a produção vinda de outros Estados está abastecendo o Paraná, e os produtores ou atravessadores podem querer explorar’’, comenta.
Mas ele acredita que a concorrência acirrada vá, em breve, regular o mercado. Segundo ele, são muitos os atacadistas e quanto mais forem buscar produto fora, mais o mercado ficará abastecido e o preço tenderá a cair. Como exemplo, ele cita o tomate que, na sexta-feira passada (um dia após a primeira geada) foi comercializado a R$ 16,00 a caixa. No sábado, com produto chegando de outras localidades, já estava a R$ 12,00 e até R$ 11,00. ‘‘Mas se estiver ocorrendo especulação, não é por parte do produtor paranaense, porque esse perdeu tudo. Não tem com o que especular’’, comentou, admitindo que os poucos que tinham produto vendeu a produção a preço de mercado.

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