Assustados com a alta de até 50% no preço das frutas, consumidores da região de Londrina estão tirando alguns itens da lista de compras. Na Ceasa do município, a comercialização já diminuiu 20% no mês de abril, indicando queda de consumo na mesma proporção.
Os boxes do estabelecimento, que juntos costumam vender 600 toneladas de frutas por dia, reduziram a movimentação para 480 toneladas. A informação é de Clóvis Tsuzaki, presidente da Associação dos Atacadistas da Ceasa. A alta é explicada pelo fenômeno El NIÀo, que submeteu os pomares a altas temperaturas intercaladas com muita chuva no final do ano passado.
''Estamos sentindo agora os efeitos do clima desfavorável. A produtividade dos pomares brasileiros caiu'', comentou, lembrando que a diminuição da oferta sempre resulta em aumento de preço.
Para surpresa dos consumidores, a banana está entre as frutas cuja cotação mais valorizou neste ano. A caixa, comercializada entre R$ 12,00 e R$ 14,00 pelos atacadistas, acumula alta de 50%. Maçã e pêra importadas, vendidas por até R$ 6,00 o quilo nos supermercados e feiras, encareceram porque são negociadas em dólar e acompanham a cotação da moeda norte-americana.
A maçã nacional, por outro lado, já baixou 30% graças à entrada da safra de Santa Catarina. A caixa, que chegou a custar R$ 40,00, está valendo entre R$ 25,00 e R$ 30,00. Outra fruta que começa a ficar mais barata é a laranja. Comercializada por até R$ 23,00 a caixa, desvalorizou 20% na última semana e, no iníco desta semana, era vendida pelo preço mínimo de R$ 18,00. A perspectiva, de acordo com o comerciante, é cair mais 50% com a entrada da safra da região.
Tzusaki considera incomum o comportamento do preço do cítrico. ''Nunca subiu tanto'', avaliou. Segundo ele, os baixos preços praticados em safras anteriores desmotivaram muitos produtores, que acabaram deixando a atividade. ''Reduziu a oferta'', disse.
A dica para economizar na compra é procurar os produtos da época que, de preferência, tenham sido produzidos em locais próximos. O mamão, por exemplo, é uma fruta que está com preço estável. Cítricos como mixirica, tangerina, poncã e laranja lima também são encontrados com abundância e a preços acessíveis.
O trabalhador autônomo Márcio Rosa Lima, 34 anos, utiliza essa estratégia para diminuir a conta das frutas. ''Além do preço alto, tem muito produto com qualidade baixa. Não está compensando comprar'', reclamou.
Outra consumidora insatisfeita é a dona de casa Odete Sales, 60. Acostumada a consumir frutas diariamente, ela parou de comprar ameixa, pêra e maçã: ''Quando compro, levo as opções mais baratas, que nem sempre têm boa qualidade. A situação está absurda.''

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