O presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica (Abracel), Luiz Maurer, previu ontem que o preço do megawatt/hora de energia elétrica no mercado spot (livre), que hoje está em R$ 459, poderá subir, em dois meses, para R$ 684. Segundo Maurer, a previsão da Abracel independe da adoção, discutida pelo governo, do preço da energia praticado no Mercado Atacadista de Energia (MAE) para aqueles consumidores que ultrapassarem sua cota de consumo.
Ele fez esta previsão ao chegar ao Palácio do Planalto para a reunião dos representantes das empresas de energia elétrica com o Núcleo Executivo da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica. A Abracel apresentou a proposta de adoção do preço do mercado spot para a cobrança do excesso de consumo, numa reunião com representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizada no último dia 3.
Segundo Maurer, a Aneel considerou que o valor absoluto da energia no MAE não seria suficientemente elevado para motivar a redução do consumo. Ele disse que o governo está trabalhando com as opções que foram apresentadas para combinar a definição de cotas com eventuais bônus e sobretaxas com o corte rotativo de energia. O presidente da Abracel explicou ainda que o corte global da energia poderá chegar a 30%. Maurer disse que, para a indústria, o corte rotativo ‘‘é um pesadelo’’ e que o ideal seria incentivar a redução.
O presidente do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, defende uma negociação ampla para que os efeitos do racionamento sejam diferenciados entre os setores que podem pagar mais pela energia e os que não podem. ‘‘Temos que deixar o mercado avaliar. Mas, como já existe tarifa mais cara para os horários de pico, esse é um conceito que tem que ser ampliado no processo global da economia’’, disse. (AE)

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