No dia seguinte à operação Medusa III o preço do combustível em Londrina se manteve estável, ao contrário da expectativa da diretora da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Ana Paula Martinez. Ela havia comentado na quarta-feira, durante a ação da polícia, que a perspectiva era de que o preço fosse reduzido, pois uma operação semelhante na Paraíba provocou a queda do valor do combustível no dia seguinte.
O promotor de Defesa do Consumidor de Londrina, Miguel Sogaiar, não acredita na queda dos preços imediatamente. Ele afirmou, entretanto, que após essa operação o mercado deve ficar mais salutar. ''Espero que o mercado se regularize de uma forma mais realista'', pontuou o promotor, lembrando que os preços praticados em Londrina ainda são maiores do que de outras cidades da região.
Sogaiar disse que ficou satisfeito com o resultado da operação e bastante confiante. Segundo o promotor ainda há algumas questões para serem resolvidas, mas a ação efetuada pela Polícia Civil vai contribuir de certa forma para um saneamento no mercado de Londrina e deverá favorecer diretamente o consumidor. ''No momento em que se desmancha um grupo como esse, que tudo indica que combinavam preços, é um lucro para o consumidor'', reforçou. E, mais importante, na opinião dele, é que a ação mostra que o Estado está atento ao mercado.
O promotor explicou que vai esperar o delegado Marcus Vinícius Michelotto, coordenador das investigações, concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público. A partir disso, Sogair e os promotores das outras cidades envolvidas na operação vão analisar o inquérito e se for comprovado crime contra as relações de consumo e sonegação o órgão deverá oferecer denúncia, a qual implica processo judicial criminal. A pena para esse tipo de crime é privação de liberdade. No caso de formação de cartel, por exemplo, a pena pode variar de 2 a 5 anos de detenção.
Sogaiar ainda explicou que caberá à Secretaria de Direitos Econômicos abrir processo administrativo contra os empresários investigados. O órgão poderá processá-los junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Se for comprovada a irregularidade os estabelecimentos poderão ser interditados e os empresários multados.

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