Preço de carros pode aumentar em maio
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Agência Estado 
As montadoras poderão promover aumentos nos preços dos veículos a partir da segunda quinzena de maio, quando acaba o acordo emergencial firmado entre indústrias, governo e trabalhadores. O acordo reduziu o IPI e o ICMS - em alguns Estados - incidente sobre os automóveis com a contrapartida da estabilidade dos empregos por 90 dias e a não aplicação de aumentos. O acordo permitiu uma queda de 12% a 25% nos preços.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, admite que uma decisão neste sentido poderá comprometer os resultados positivos alcançados, mas argumenta que as indústrias não têm como deixar de repassar aumentos dos fornecedores de autopeças. Ele não revelou de quanto foram estes reajustes.
As empresas fornecedoras, por seu lado, reclamam dos reajustes impostos pelos fabricantes de matérias-primas e insumos, que têm preços fixados em dólar ou balizados pela moeda norte-americana e teriam repassado os aumentos ocorridos após a desvalorização cambial, em janeiro.
As discussões de renovação do acordo ainda estão em andamento, mas Pinheiro já adiantou que ela não poderá ser feita nos mesmos termos do acerto anterior, pelo menos no que diz respeito à manutenção dos preços.
Segundo ele, o governo também tem dado indicações de que não pretende apoiar a prorrogação, embora não haja ainda dados conclusivos a respeito do eventual ganho de arrecadação obtido pelo governo.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luís Marinho, previu uma catástrofe do mercado, caso o acordo emergencial não seja renovado e as indústrias aumentem seus preços.
Para ele, a única forma de se evitar isto seria uma participação mais ativa do governo nas negociações com os fornecedores de matéria-prima e principalmente a adoção de medidas eficazes, como a redução dos juros.
Se houver aumento de preços, vamos querer aumento de salários também, avisou. O sindicalista lembrou que o governo resistiu em participar do acordo iniciado em março e acabou aderindo na marra, em função da comoção nacional causada pela demissão dos 2.800 metalúrgicos da Ford.


