Preço de carro novo sobe quase 10% em 2004
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de junho de 2004
Vânia Casado<br> Equipa da Folha 
Curitiba - O preço do carrro novo acumula um aumento de 12% nos últimos seis meses, bem acima da inflação do período. Para o diretor regional da Federação Nacional das Distribuidoras de Veículos Automotores (Fenabrave), Luiz Antonio Sebben, as montadoras estão repassando o custo em dólar das peças importadas e os reajustes dos metalúrgicos para o preço dos veículos.
Pesquisa feita pela Agência AutoInforme, de São Paulo, indica que no acumulado este ano, o preço médio do carro subiu 9,7%. O último aumento, no mês passado, foi de 1,05%. Temeroso, Sebben disse que ouviu boatos de um novo aumento para este mês.
De acordo com a pesquisa, os carros com motor de mil cilindradas foram os que tiveram reajuste maior no mês passado, da ordem de 1,89%. Alguns modelos tiveram altas expressivas, acima de 5%. A pesquisa citou o preço do Clio Autentique, da Renault, que saltou de R$ 21 mil para R$ 22,2 mil, uma alta de 5,7%. O preço do Gol Special subiu de R$ 17,8 mil para R$ 18,8 mil, uma alta de 5,6%. O Celta 1.0 teve o terceiro aumento de preço entre os populares, de 5,4%. Custava R$ 18,4 mil e agora é vendido a R$ 19,4 mil.
Com tantos reajustes as concessionárias estão com mais dificuldade em concretizar as vendas, disse Sebben. Ele lembra, porém, que no Paraná essa dificuldade não está tão acentuada por causa do reflexo do dinamismo do agronegócio. ''Mas se os reajustes continuarem certamente essa dificuldade vai chegar ao Paraná'', admitiu.
Para o empresário, isso está acontecendo porque a renda do consumidor não está acompanhando os reajustes dos componentes dos veículos, a maioria importados e cotados em dólar. ''Também o reajuste dos trabalhadores do setor automotivo está pesando na composição do preço do veículo e o consumidor vai pagar a conta'', afirmou.
Sebben destacou que as redes de concessionárias procuram estimular as vendas com bonificações ou subsídios a financiamentos. O empresário prevê a suspensão desses descontos porque as distribuidoras estão trabalhando com uma margem muito pequena e não dá mais para evitar o repasse de preços, avisou.


