Preço de bezerros assusta pecuaristas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A relação de troca entre bezerros e boi gordo no Paraná é a pior do Brasil. No restante do País é possível comprar 2,35 bezerros desmamados, em média, com a venda de um boi gordo. No Estado, essa relação cai para 2,05. Como consequência, pecuaristas paranaenses estão encontrando dificuldade para fazer a reposição de animais. O bezerro está cotado a R$ 420,00 no Estado. A arroba do boi gordo custa R$ 55,00. Os animais terminados costumam ser vendidos com o peso médio de 18 arrobas.
Assustado com a alta, o criador Valdir Lazarini, de Cascavel, deixou de comprar bezerros e passou a engordar apenas os animais nascidos na propriedade. Ele explicou que o preço do bezerro acompanhou a valorização da arroba do boi, que chegou a R$ 60,00 no final de 2002. Quando a cotação do boi recuou a R$ 55,00, no mês passado, o preço dos animais para engorda se manteve, dificuldando a reposição. ''A relação ideal é de 2,5 bezerros por boi'', comentou.
De acordo com Fabiano Ribeiro Tito Rosa, analista de mercado da Scot Consultoria, em Bebedouro (SP), o custo dos bezerros cresceu 12% apenas no mês de março. O preço da arroba do boi gordo, em contrapartida, reduziu R$ 2,00 no período, indicando baixa de 2%. Para Tito Rosa, apesar da relação de troca paranaense ser menor que a de outros Estados, ainda está satisfatória para o criador. ''Agora é época de faltar bezerro, pode ser que a situação melhore'', disse.
Por causa da desvalorização, o mercado do boi gordo está parado no Paraná. O analista informou que os frigoríficos reduziram os abates pela metade, em uma tentativa de evitar que o crescimento da demanda eleve o preço para os R$ 56,00 praticados no início de março. Os pecuaristas, por sua vez, tendem a manter os animais no pasto. ''Como as pastagens estão boas, está compensando segurar para ganho de peso. Não há espaço para novos recuos'', disse o analista, acrescentando que a desvalorização de 2% é baixa para um mês de safra.
Lazarini confirma que está vendendo apenas para fazer média, mas não pretende segurar os animais por muito tempo. Com a proximidade do inverno, os pastos tendem a perder qualidade, forçando os pecuaristas a negociarem os bois terminados. ''A oferta aumenta e os preços podem cair ainda mais'', opinou.
Para os meses de frio, ele está investindo em pastagens de inverno como a aveia e o azeven. Tradicional criador de gado em confinamento, Lazarini só pretende adotar essa alternativa após esgotar os pastos. ''O custo dobrou'', justificou, acrescentando que, após a alta do dólar e das commodities, no segundo semestre de 2002, o custo de produção da pecuária aumentou 70% e o boi gordo valorizou 35%. ''O preço está defasado em 35%'', reclamou.


