A baixa oferta de bovinos de corte tem elevado os preços não só do boi gordo, mas também do boi magro que é utilizado para engorda. Em setembro, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o valor do animal chegou ao pico de R$ 1.381,00 a unidade, o maior registrado no ano. No mesmo período do ano passado, uma cabeça de boi magro custava R$ 1.267,64.
Em comparação com janeiro deste ano, o aumento contabilizado pelo Deral foi de 12,18%. De acordo com analistas da entidade, o boi magro vem registrando sucessivas altas desde o início de 2014, quando o valor da cabeça era negociada a R$ 1.200,00. Fábio Mezzadri, médico veterinário do Deral, afirma que a baixa oferta de animais de reposição em todo o Brasil foi o fator responsável pela alta no valor desses animais.
Conforme dados do departamento de economia da Seab, o boi magro, categoria de reposição, atualmente sofre com uma demanda maior do que a oferta pode suprir. "Nos últimos 10 anos tivemos muito abate de matrizes, reduzindo a oferta de animais de reposição", lembra o especialista. De acordo com a entidade, por causa desse desiquilíbrio houve essa reação positiva nos preços.
Questionado pela FOLHA se essa alta no valor do boi magro pode comprometer o índice de reposição dos animais que estão sendo abatidos, Mezzadri destaca que esse aumento no preço do animal e a redução nos custos de alguns insumos, como o milho e o farelo de soja, devem equilibrar as contas dos pecuaristas e aquecer os investimentos no setor, o que inclui aquisições de exemplares para reposição.
Mezzadri conta que mesmo com preços atrativos do boi gordo, muitos produtores estão segurando as vendas de animais esperando uma valorização ainda maior nos próximos meses. Dados do Deral apontam que em setembro o valor da arroba do boi gordo no mercado paranaense chegou a R$ 125,68, ante R$ 119,74 em agosto e R$ 100,56 em setembro de 2013. "O preço atrativo pode ajudar na compra do boi magro que também se encontra em alta", destaca o veterinário.
O especialista do Deral observa que a oferta de animais deve aumentar a partir de agora com os exemplares de inverno que estão saindo do sistema de confinamento para abate. Porém, a demanda no segundo semestre é maior, podendo manter os preços da arroba ainda em alta. "Quem faz o ciclo completo (cria, recria e engorda), tem obtido a melhor margem de lucro", enfatiza Mezzadri.
De acordo com o veterinário, a situação do clima durante a entressafra foi um pouco atípica, com um inverno menos frio e mais chuvoso no Sul do País, inclusive no Paraná, com incidência de geadas mais moderadas e localizadas. Esse cenário, consta em relatório divulgado na semana passada pelo Deral, possibilitou a manutenção das pastagens com melhor qualidade em algumas regiões do Estado, garantindo bons rendimentos e a possibilidade de manter os animais no pasto por mais um tempo à espera de preços ainda mais elevados.
Dante Pazzanese, produtor de gado de corte no Norte do Paraná, afirma que a alta no valor do boi gordo ajudou a equilibrar a elevação do preço do boi magro. Porém, com a elevação do dólar frente ao real, o pecuarista diz que poderá elevar os preços de alguns insumos. O produtor reitera, contudo, que no momento os baixos preços das commodities utilizadas na ração dos animais irá favorecer a engorda. Só no Paraná, Pazzanese possui 2,3 mil animais PO (Puro de Origem).

Varejo
O último relatório realizado por Mezzadri apontou um aumento nos preços dos cortes no varejo. No Paraná, o quilo do peito bovino com osso foi o corte que mais se valorizou em setembro em relação ao mesmo período do ano passado, somando um acréscimo de 26,57%. O quilo do corte no mês passado foi comercializado a R$ 9,48. Com a elevação da oferta a partir de agora, Mezzadri acredita que o valor da carne poderá ter uma ligeira queda. Mas, não muita, já que o consumo da proteína tende a ser maior no final do ano, extrapolando a oferta.

Imagem ilustrativa da imagem Preço de animal para reposição registra alta no PR
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