Rio - A variação de preços na alimentação para os consumidores da região Sul e de São Paulo está acima do dobro da média do País. Nestas áreas, o cultivo de hortaliças e legumes foi afetado desde maio pelo frio antecipado e pelas chuvas, o que prejudicou a oferta de produtos. Com isso, a inflação dos alimentos nestas regiões chegou à faixa de 2,21%, enquanto no País está em 1,07%. No Norte e Nordeste, ao contrário, houve deflação de 0,27% na alimentação. Os dados são baseados na segunda prévia de junho do Índice de Preços ao Consumidor do Mercado (IPC-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A estatística mostra que a variação do grupo de alimentação chega a 3,02% em Curitiba, 2,39% em Porto Alegre e 2,09% em São Paulo. No Sul, os preços de hortaliças e legumes subiu até 15%. Estes produtos ficaram 6,9% mais caros em média no País e subiram apenas 0,18% no Nordeste, menos afetado por variações do clima.
''Condições climáticas desfavoráveis acabam restringindo a oferta de hortaliças, legumes, tubérculos no mercado'', afirma o economista da LCA Consultores, Ricardo Denadai. Ele explica que as chuvas e o frio atrapalharam as colheitas dos alimentos 'in natura'. ''Quando chove muito numa plantação, se deteriora o cultivo, a produtividade se reduz, a oferta cai no atacado e o preço aumenta o varejo'', explica.
Denadai pondera que esta elevação do grupo alimentação, provocada pelos itens 'in natura', é temporária, já que as condições climáticas voltam a melhorar. ''Já parou de chover e a temperatura aumentou. Voltam as condições mais propícias para o cultivo destas lavouras, que são de ciclo rápido. Em pouco tempo é possível se restabelecer a oferta e o preço volta em geral para os níveis anteriores ou próximos'', diz o economista.
Na segunda prévia de junho, que leva em conta a apuração de preços entre os dias 21 de maio e 10 de junho, a variação do grupo de alimentação (1,07%) representou quase metade de toda a variação do IPC-M no período (0,62%).

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