Preço de alimentos pressionou alta do IPCA
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de janeiro de 2008
Jacqueline Farid<BR>Agência Estado 
Rio - Os produtos alimentícios acumularam em 2007 a maior alta em cinco anos e pressionaram a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano com alta de 4,46%, esbarrando no centro da meta definida pelo Banco Central (4,50%). O resultado, muito superior aos 3,14% apurados em 2006, reverteu uma trajetória de desaceleração consecutiva do IPCA inaugurada em 2003.
A inflação chegou ao final do ano passado com o pé no acelerador e registrou, em dezembro, alta de 0,74%, quase o dobro de novembro (0,38%), sob impacto da alta de 2,06% nos alimentos, a maior variação mensal para esse grupo apurada pelo IBGE desde janeiro de 2003.
Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do instituto, ressaltou que o ano que passou foi diferente dos anteriores para a inflação, com mais pressão dos alimentos e contribuição dos preços administrados para conter o índice. Enquanto os produtos alimentícios tiveram variação acumulada de 10,79% em 2007, muito acima da alta de 1,22% apurada em 2006, contribuindo com quase a metade (2,21 ponto porcentual) para o IPCA do ano, o grupo dos não alimentícios registrou alta de apenas 2,83%, o menor aumento desde 1998 (1,56%) e bem inferior ao apurado em 2006, quando chegou a 4,23%.
Eulina observou que a pressão dos alimentos foi provocada especialmente por condições climáticas desfavoráveis para o cultivo de produtos como feijão (alta de 144,42% no tipo carioca no ano passado) e batata inglesa (aumento de 68,6%), além de preços elevados das commodities (como milho e soja) no mercado internacional e aumento da demanda por alimentos no mercado interno e externo.
No caso dos não-alimentícios, que ''contribuíram sobremaneira para que a taxa (de 2007) não fosse maior'', Eulina listou como principais motivos para o bom comportamento desse grupo a influência do dólar sobre preços de eletrodomésticos, vestuário e energia elétrica; a alteração de metodologia de cobrança das contas de telefone fixo de pulso para minutos e a inexistência de reajuste nos preços da gasolina (o último ocorreu em janeiro de 2006).
Entre os itens que contribuíram para conter a inflação no ano passado, destacam-se sobretudo a energia elétrica (-6,16%), a gasolina, (-0,69%), seguro de automóveis (-14,94%) e artigos de TV, som e informática (-9,93%).
''No início do ano passado, a impressão era de um quadro inflacionário convergindo para números cada vez menores'', lembrou Eulina, que ressaltou a trajetória de recuo da inflação iniciada em 2003 e que foi quebrada no ano passado.


