Preço da Vale pode chegar a R$ 11 bi
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terça-feira, 04 de março de 1997
Agência Estado, de Brasília 
O governo decide hoje qual será o preço de venda da Companhia Vale do Rio Doce. Ontem à tarde, o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, dava os últimos retoques no texto do edital de privatização, que será discutido na reunião do Conselho Nacional de Desestatização (CND). O edital conterá o preço mínimo, mas este só será fechado durante a reunião, informou Kandir ontem. O preço sugerido pelas duas consultorias contratadas para fazer a avaliação da empresa varia de US$ 7,7 bilhões a US$ 11 bilhões.
A divulgação do edital com as regras da privatização da Vale já foi adiada duas vezes. A primeira data prevista era 17 de dezembro. Porém, foi necessário dar mais tempo para que os candidatos à compra da empresa visitassem o data-room da Vale. O data-room era uma sala na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, onde podem ser consultados documentos sigilosos sobre o desempenho da empresa. A divulgação foi, então, adiada para o final de janeiro.
Um novo adiamento tornou-se necessário a partir de uma série de reportagens publicadas pelo Estado, que revelaram a existência de reservas em ouro e cobre na região de Carajás num volume superior ao estimado na época em que a modelagem da venda da Vale foi feita. As discussões sobre a dificuldade de se estimar o valor das minas ainda não totalmente mensuradas obrigou a uma adaptação no modelo de venda.
Para as jazidas de valor não calculado, foi criada uma sociedade entre BNDES e Vale do Rio Doce. Ambas formarão uma empresa de pesquisa mineral, com um investimento inicial de R$ 340 milhões. Essa empresa ficará responsável pela pesquisa. Metade do resultado dessas novas explorações irá para o BNDES, e a outra metade para o novo proprietário da Vale. Para as jazidas conhecidas, mas ainda não exploradas, foi garantida uma participação da União. O governo prosseguirá recebendo um porcentual do resultado das explorações minerais da Vale.
Uma outra modificação recente nas regras da privatização da empresa diz respeito ao destino dos recursos gerados com a venda. Após meses de debate dentro do próprio governo sobre se o dinheiro iria para investimentos ou para reduzir a dívida pública, chegou-se a uma solução salomônica: metade resgata títulos da dívida e a outra metade vai para o Fundo de Reestruturação da Economia Nacional (Fren), uma criação do ministro Antônio Kandir.
O Fren destinará os recursos da Vale para financiar investimentos em infra-estrutura e para incentivar setores da economia com maior capacidade exportadora. Todos os empréstimos serão feitos ao setor privado. Dessa forma, o Fren produzirá o efeito contábil de reduzir a dívida pública, à medida em que os empréstimos aumentam os créditos do governo junto ao setor privado.


