Preço da terra dispara com mercado de grãos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Na região de Maringá, a mais valorizada, o indicador é a cotação da soja; exportação de milho também ajudou. No Oeste, propriedades com pinus são as mais procuradas
Curitiba - De um ano para cá houve uma reviravolta no mercado de terras do Paraná. A valorização no preço da soja, a boa remuneração dos produtos da safra passada, o aumento das exportações de frango, suínos e da carne vermelha foram fatores que fizeram disparar os preços da terra na área rural do Estado. Imobiliária de Maringá constatou que há pouca oferta de terras em áreas mecanizáveis e muita procura, inclusive de empresários rurais de São Paulo, interessados em áreas para grandes plantios. O milho, depois das exportações do ano passado também contribuiu para a valorização da terra.
Na região Norte, a soja virou moeda de troca e a sua cotação no mercado é indicador para o preço da terra. Na região de Maringá, por exemplo, onde predomina a terra roxa, a área rural mecanizável está cotada em mil sacas de soja por alqueire, informou Iracy Lucio Mochi, dono da Imobiliária Paiaguás. Atualmente a soja está cotada entre R$ 21,00 a R$ 23,00 a saca no atacado. De modo geral, naquela região, o preço da terra mecanizada varia entre R$ 21 mil e R$ 23 mil, bem acima dos valores de dois a três anos atrás.
A valorização das áreas mecanizáveis ocorreu principalmente de um ano para cá, simultaneamente à recuperação da agricultura. Esse mercado permaneceu anos estagnado logo após o Plano Real quando a agricultura entrou em crise com problemas de endividamento e falta de recursos para financiamento. Nessa época, sobravam áreas à venda e poucos compradores. Hoje a situação se inverteu. Quem abrir a boca para vender área de terra roxa vende na hora, disse Mochi.
Já na região do Arenito, em Umuarama e Paravanavaí, as áreas rurais estão cotadas entre R$ 8 mil a R$ 10 mil o alqueire. Mesmo assim, já representa uma valorização já que há um ano, as mesmas terras estavam cotadas entre R$ 6 mil a R$ 8 mil o alqueire. A valorização na região ocorreu com a introdução do plantio de soja (veja box ao lado). Também os bons resultados da bovinocultura de corte, que predomina na região, com a arroba do boi em torno de R$ 43,00 a R$ 45,00 são fatores que sustentam as cotações das áreas rurais.
Na região de Guarapuava, a valorização das terras foi de 50% a 60% sobre as cotações do ano passado. Há um ano, as terras mecanizáveis na região valiam em torno de R$ 6 mil o alqueire. Hoje as áreas estão cotadas em R$ 12 mil o alqueire, em média. A soja e o milho valorizaram as terras da região Central.
Na região Sul do Estado, mesmo as áreas não mecanizáveis ocupadas com reflorestamento também se valorizaram. A madeira de pinus é um produto escasso, e essas áreas vêm sendo disputadas. Quem tem plano de corte de pinus, autorizado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vende a terra na hora, garantem corretores do ramo.
Documento referente ao plano de pinus é muito controlado e valorizado no mercado. O preço da terra na região Sul passou de R$ 2.590 o alqueire em janeiro do ano passado para R$ 3.630 o alqueire este ano. Mas o preço pode ser mais alto dependendo de cada propriedade, benfeitorias e infra-estrutura implantados.


